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Mortes caem 15,8% no Brasil em 2022; entenda como vacina da Covid-19 contribuiu para queda

Apesar do recuo, mortalidade entre crianças e adolescentes cresceu; especialistas atribuem aumento a vacinação contra a Covid-19 tardia

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Pandemia da Covid-19 deixou mais de 700 mil mortos no Brasil • Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus

O Brasil registrou 1,50 milhão de óbitos em 2022, um número 15,8% menor (ou 281,5 mil pessoas a menos) em comparação ao ano anterior. Em 2021, o número de óbitos bateu o recorde da série histórica, iniciada em 1974, e chegou a 1,78 milhão. Os dados das Estatísticas do Registro Civil foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (27).

A gerente da pesquisa, Klívia Brayner, explica que a vacinação contra a Covid-19 é uma das principais responsáveis pela diminuição do número de mortos no país. "Esse resultado acompanha o recuo das mortes ocasionadas pela Covid-19, com a ampliação do número de pessoas que completaram o esquema vacinal", explica a pesquisadora.

Apesar da queda, o número de mortos em 2022 ainda foi 14,2% maior do que o registrado em 2019 (1,31 milhão), o último ano da pré-pandemia. Em janeiro de 2022, por exemplo, houve um aumento de 10,7% (161,18 mil óbitos) em relação ao mesmo período de 2021. Porém, nos demais meses de 2022, o número de mortes recuou.

Mortalidade infantil cresceu em 2022

Mesmo com o número total de mortes ter diminuído em 2022, mortalidade infantil cresceu. De acordo com o IBGE, a taxa de óbitos entre pessoas de 0 a 14 anos passou de 37,2 mil, em 2021, para 40,1 mil em 2022 - um aumento equivalente a 7,8%.

O maior aumento se deu entre as crianças de 1 a 4 anos. Em 2022, foram registrados 6 mil óbitos - 27,7% a mais do que em 2021 (4,7 mil).

Para Brayner, o aumento de mortes nessa faixa etária também tem ligação com a vacina da Covid-19. Mas nesse caso é a falta da vacina que contribuiu para o crescimento dos registros.

"Segundo as informações desse sistema, os óbitos cujas causas foram doenças respiratórias como gripe, pneumonia, bronquiolite, asma e outras corresponderam a mais de 60% da diferença do total no número de óbitos nessa faixa etária entre 2021 e 2022. Considerando que a vacinação de crianças e adolescentes brasileiros se deu mais tarde do que a vacinação dos adultos, e que, portanto, eles demoraram mais a completar o esquema vacinal, é possível que a COVID-19 tenha contribuído fortemente para esse quadro", conclui a gerente.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.