Mensagens e e-mails enviados a clientes de ex-bbb Nego Di são reveladas; veja prints
Vítimas do ex-bbb e humorista contaram que não houve ressarcimento de valores por parte da loja do influenciador; Nego Di segue preso no Rio Grande do Sul

A loja virtual “Tadizuera” do influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, que está preso desde o último domingo (14) por suspeita de liderar um esquema de estelionato, enviou um e-mail aos compradores alegando problemas de “desorganização” e prometeu devolver o dinheiro dos produtos não enviados.
O e-mail foi escrito em 2022 e solicitava às vítimas que enviassem seus dados bancários, número do pedido, nome e o valor pago no produto comprado que não foi recebido. Porém, nenhuma das vítimas consultadas teve resposta ao e-mail enviado, e muito menos o valor perdido.
“Eu enviei e-mail dos estornos, sim, mas nunca me retornaram”, disse uma das pessoas a CNN. Em imagens obtidas pela reportagem, é possível ver o comunicado da loja “Tadizuera” falando sobre os pedidos de ressarcimento dos valores. Na mensagem, a empresa afirma que uma “troca de sistema desorganizou estornos”.
Conversas por WhatsAp
Outras mensagens foram obtidas e nelas o ex-bbb Nego Di conversa pelo WhatsAp com uma das vítimas sobre a devolução do dinheiro gasto em um produto que não foi entregue. A vítima, que preferiu não ser identificada, conta que viu os anúncios da loja em redes sociais e comprou 33 aparelhos de ar-condicionado com objetivo de revender os produtos e pagar um tratamento médico. Em março de 2022, o homem fez um empréstimo e realizou a compra.
Os eletrodomésticos nunca chegaram. Após o esgotamento dos prazos de entrega, a loja justifica a demora por problemas com fornecedor e quebra de contrato da empresa, segundo a vítima. “E Nego Di voltava à sua rede social e pedia que tivéssemos tranquilidade, que não era golpe, que a loja era dele e que podíamos confiar”, afirma.
Ainda nos prints, é possível ver a vítima questionando o influencer Nego Di sobre o não recebimento dos seus produtos. Após dias sem responder, as promessas de resolução que envolvem a resolução do dinheiro se estendem e o influencer volta a afirma: “Acho que vai sair teu estorno hoje!”.
Como aconteceu a prisão de Nego Di?
A prisão foi decretada pela Justiça do Rio Grande do Sul por crime de estelionato após denúncias de que o influenciador participava de um esquema de venda online de produtos que nunca foram entregues. O humorista divulgava em seus perfis nas redes sociais os produtos à venda, como aparelhos de ar-condicionado e televisores, vendidos a preços abaixo do de mercado.
No último domingo (14), o ex-bbb, influencer e humorista foi preso preventivamente em Santa Catarina, levado sob custódia para o Rio Grande do Sul, onde corre o processo. No início da noite, ele foi apresentado no Palácio da Polícia e logo após, transferido para a Penitenciária Estadual de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.
Nessa terça-feira (16), a Justiça do RS negou o pedido de habeas corpus da defesa do humorista.
Sócio está foragido
Anderson Bonetti, o sócio de Nego Di, também é suspeito de estelionato, e está foragido com mandado de prisão preventiva expedido. Boneti também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, no ano passado. Ele foi preso na Paraíba em 25 de fevereiro de 2023, mas solto dias depois.
O esquema
Segundo as investigações, Nego Di vendia produtos incluindo TVs, ar-condicionado e aparelhos celulares por um preço abaixo do mercado e não os entregava. Nas redes, ele dizia ter sido contratado por Boneti para apenas divulgar os produtos, mas em um outro vídeo dizia ser o dono e garantia a entrega do produto aos clientes.
Uma das vítimas do golpe, que teve um prejuízo de R$ 30 mil, ao comprar dois celulares e alguns ar-condicionado, contou à CNN sobre o modus operandi de Nego Di.

Segundo ela, o suspeito vendeu, em 2022, aparelhos celulares com valores bem abaixo do mercado e fez a entrega, para dar veracidade ao golpe. Logo após, ele anunciou que criaria uma loja virtual, vendendo produtos em preço baixo para todos pudessem ter acesso. O prazo de entrega dos produtos eram de 50 dias, o que para a polícia foi um plano idealizado por Nego Di, para poder ludibriar outras pessoas, fazendo mais promoções para atrair outros clientes nesse tempo.
A partir da procura das vítimas à polícia, houve quebra de sigilo bancário, demonstrando que, em um curto período de tempo Nego Di recebeu mais de R$ 300 mil reais, confirmando o dolo de estelionato.
Investigação
A loja virtual, “Tadizuera”, operou entre 18 de março e 26 de julho de 2022 — momento em que a Justiça determinou que ela fosse retirada do ar. Parte dos seguidores do influenciador comprou os produtos, mas nunca recebeu, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que não havia estoque, e que Nego Di enganou os clientes prometendo que as entregas seriam feitas, apesar de saber que não seriam. Ainda assim, movimentou dinheiro que entrava nas contas bancárias da empresa.
A Polícia Civil afirma que tentou por diversas vezes intimar Nego Di para prestar esclarecimentos, mas ele nunca foi encontrado.
Antes da prisão, Nego Di se manifestou na sua conta de X, o antigo Twitter. “Estávamos preparados para o que aconteceu ontem [sexta]. Nós sabíamos que iria acontecer mais cedo ou mais tarde, e todo mundo sabe o porquê do que aconteceu ontem”, escreveu ele.
*Matéria com informações de CNN*
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