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Médica que emitia falsos laudos de câncer no Paraná é proibida de exercer profissão

Decisão do CRM-PR por interdição total é válida por 180 dias; Carolina Biscaia cobrava até R$ 13 mil para retirar pintas após falso diagnóstico de câncer de pele

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Carolina Fernandes Biscaia Carminatti é investigada por falsos diagnósticos de câncer de pele • Reprodução/Redes Sociais

A médica Carolina Fernandes Biscaia Carminatti, suspeita de enganar pacientes com falsos diagnósticos de câncer de pele, foi proibida de exercer a profissão por 180 dias (seis meses). A decisão do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) foi publicada nessa segunda-feira (10).

Conforme o Código de Processo Ético Profissional, a punição é válida em todo o país. Agora, o processo contra a médica terá um prazo de seis meses para ser julgado, com tramitação prioritária.

"A medida extraordinária foi tomada diante da gravidade das acusações e das informações coletadas por este Conselho até o momento, sendo avaliada como indispensável para a segurança dos pacientes e proteção da sociedade. Importante ressaltar que está em curso Processo Ético-Profissional (PEP) que julgará a referida profissional em relação às acusações relacionadas à falsificação de laudos", afirmou o CRM-PR em nota à Itatiaia.

Relembre o caso

De acordo com a investigação, as vítimas procuravam a médica Carolina Fernandes Biscaia Carminatti para consultas dermatológicas e eram informadas de que algumas pintas presentes no corpo tinham características de câncer. Assim, era retirada uma amostra para ser enviada para exame no laboratório de patologias.

Na sequência, a médica informava a necessidade da paciente retornar ao consultório em virtude do laudo de exame constatar que a vítima estaria com câncer.

Em uma nova consulta, ela mostrava um laudo que indicava a presença da doença e realizava o procedimento de ampliação de margens, cobrando os valores pertinentes. De acordo com o delegado, algumas das vítimas pagaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Uma das vítimas relatou pagamentos de R$ 13 mil.

"Ocorre que as vítimas buscaram o laboratório onde foram feitos os exames e receberam seus laudos originais, os quais não constavam a presença da doença indicada pela médica", explicou o delegado da PCPR Helder Andrade, responsável pelo caso.

A ação foi deflagrada na sexta-feira (23), em Pato Branco, na região Sudoeste do Estado. Nos locais, foram apreendidos dois computadores, dois celulares e diversos documentos. A Polícia Civil aguarda o laudo pericial para juntar as evidências e encaminhar para o Poder Judiciário e o Ministério Público para a continuidade do procedimento.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde