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Mecânico que deu comida para fugitivos de Mossoró diz que foi ameaçado: 'iriam me matar'

Polícia Federal busca por Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento há quase 20 dias; criminosos ficaram uma semana em sítio em Baraúna (RN)

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Mais um suspeito de ajudar fugitivos de Mossoró é preso | CNN Brasil
Criminosos estão foragidos desde 14 de fevereiro • Créditos: CNN Brasil

A Polícia Federal está há quase 20 dias a procura de Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, dois criminosos que fugiram do Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 14 de fevereiro. A fuga é considerada a primeira da história do país, desde que os presídios federais foram criados há 18 anos.

Durante a operação em busca dos fugitivos, a PF já prendeu cinco pessoas suspeitas de terem ajudado os homens a se esconder. Um deles é o mecânico Ronaildo da Silva Fernandes, que mora na cidade de Baraúna (RN), a cerca de 35 km de Mossoró.

"Estava eu, minha esposa e meu menino pequeno. Aí, por volta de 23h, 0h, a gente estava quase dormindo já, invadiram a porta, entraram para dentro, pegaram eu e minha esposa. Disse que se eu não fizesse o que eles me mandassem, iriam me matar, matar minha família. Aí eu fui obrigado a ficar assim", afirmou.

Policial: O que o senhor deixou lá hoje?

Ronaildo: Hoje deixei mortadela, bolacha.

Policial: E a que horas deixou?

Ronaildo: Hoje eu fui mais tarde, mais uma coisinha. Teve uns atrasos, essas coisas. Foi na faixa de 16h30, 17h.

Mecânico teria recebido R$ 5 mil para esconder criminosos

A esposa do mecânico, Francisca Elizandra Miranda, também prestou depoimento à polícia. Apesar de ter sido ouvida, a mulher segue em liberdade.

Nos depoimentos à PF, Ronaildo e a esposa dele, Francisca Elizandra Miranda, admitiram que receberam R$ 5 mil para esconder os fugitivos. Porém, ambos apresentaram versões diferentes sobre quem teria ligado para negociar o pagamento.

"Quem ligou foi um cabra de fora, que o número é 21", disse o mecânico se referindo ao DDD 21, do Rio de Janeiro. Já Francisca disse que quem ligou foi um homem chamado Gustavo. O homem seria morador de Baraúna, ligado ao Comando Vermelho e estaria foragido.

À PF, Francisca contou como teria sido a conversa:

Policial: Qual o envolvimento do Gustavo com os fugitivos?

Francisca: Eu só sei da parte da ligação, que ele ligou pra falar sobre o dinheiro.

Policial: Ele ligou pra quem?

Francisca: Para o meu esposo falando que eles iriam mandar um dinheiro para entregar para os meninos.

Policial: Ele ligou para o seu esposo ou ligou para você?

Francisca: Para o meu celular para falar com ele.

A defesa do mecânico afirma que Ranaildo foi ameaçado e, por isso, ajudou os criminosos. "As ameaças que ele sofria lá das pessoas que estavam por fora, dando assistência aos foragidos, era que, se ele não cumprisse as regras e as determinações que lhe eram impostas, ele poderia sofrer agressão e constrangimento, até matar a família dele. Ele ficou completamente desnorteado com isso", disse ao Fantástico.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.