Justiça revoga prisão de suspeito de estuprar turista durante 18 horas no Rio
Ex-chefe de gabinete do BDMG, Lucas José Dib não poderá manter contato com a vítima e deverá entregar o passaporte

A Justiça revogou, nesta sexta-feira (3), a prisão preventiva de Lucas José Dib, de 35 anos, suspeito de estuprar uma turista de São Paulo durante 18 horas no apartamento dele, no início de abril, na zona Sul do Rio de Janeiro. Lucas foi chefe de gabinete do ex-presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Sérgio Gusmão, mas deixou o cargo em 2022 (relembre o caso no fim da matéria).
Leia também
Veja a cronologia do crime, segundo a vítima:
1º de abril - Mulher conhece suspeito em app de relacionamento
- Em depoimento à polícia, a turista disse que estava hospedada na casa de uma amiga, na Barra da Tijuca. Ao chegar ao Rio de Janeiro, a mulher baixou um aplicativo de relacionamento e deu “match” com o suspeito em 1º de abril;
- No dia 2 de abril, Lucas sugeriu que os dois se encontrassem no Quartinho Bar, localizado na rua Arnaldo Quintela, em Botafogo, no dia seguinte;
- A vítima conta que, preocupada porque nunca havia saído com alguém de aplicativo, demorou a responder o suspeito. Ela só retornou a mensagem e aceitou a proposta no dia 3 de abril, às 17h50;
21:30 (3 de abril) - Mulher se encontra com Lucas em bar
- A mulher conta que chegou ao bar combinado às 21h30. Poucos minutos depois, Lucas apareceu. A turista relata que tomou uma cerveja long neck, enquanto o suspeito tomou “duas ou três";
- Os dois teriam conversado brevemente e Lucas disse à vítima que queria lhe mostrar outros bares em Botafogo. Então, os dois se encaminharam para um bar chamado Treme-Treme, onde beberam uma caipirinha e se beijaram pela primeira vez. Os dois foram a ao menos outros dois bares na região. A turista diz que as conversas foram normais e não tinham teor sexual;
00:00 (4 de abril) - Os dois vão para a casa do acusado
- Ao caminharem em direção a um outro bar, Lucas passou em frente ao condomínio onde mora na rua Voluntários da Pátria. Ele sugeriu que os dois entrassem para esperar o horário em que um outro bar “ficasse bom";
- A vítima aceitou e entrou no apartamento por volta da meia-noite. Lá a mulher encontrou um equipamento de DJ. Lucas disse que tocaria uma música para ela, que chegou a dançar na sala da residência;
- Porém, a turista relata que eles demoraram a se beijar. Quando o beijo aconteceu, Lucas teria mudado completamente o comportamento. Ele teria dito: “agora é a minha hora e você não vai sair mais daqui”, “eu vou acabar com você" e “você vai apanhar muito”, disse a mulher em depoimento;
02: 00 (4 de abril) - Turista é estuprada, agredida e forçada a consumir drogas
- A vítima foi mantida em cárcere privado das 2h às 20h no apartamento. Durante esse tempo, ela alega que foi forçada a ingerir comprimidos do que acredita ser ecstasy. “Lucas mastigava o comprimido e fazia a depoente beijá-lo e cuspia droga em sua boca, em outros momentos Lucas chegou a enfiar droga com a mão na boca da depoente dizendo que aquilo era para ela não dormir”, diz o depoimento;
- Durante esse período a mulher conta que foi estuprada, agredida (física e psicologicamente) e que tentou gritar por ajuda, mas o som alto não permitiu que ninguém a ouvisse. Lucas teria ameaçado ela e família de morte e praticado relações sexuais sem preservativo;
- O último estupro aconteceu por volta das 18h30min. À polícia, a mulher afirmou “que em determinado momento já não tinha mais forças para lutar pela própria vida";
20:00 (4 de abril) - Vítima foge de cárcere privado
- Às 20h, o porteiro interfonou para o apartamento dizendo que um amigo da vítima estava a procura da mulher. A vítima tinha compartilhado a localização do primeiro bar com os amigos. Como ela não respondia ninguém há horas, os amigos desconfiaram que ela estava em perigo;
- Lucas disse ao porteiro que não ira descer. Porém, o interfone tocou uma segunda vez e o suspeito foi informado que o amigo da vítima estava chamando a polícia. A mulher disse para Lucas que iria descer e dispensar o amigo. O suspeito deixou com que a turista saísse do apartamento, mas não permitiu que ela levasse os seus pertences;
- Ao chegar na portaria, a mulher falou para o amigo para que eles corressem dali. Os dois pegaram um táxi, desceram em um restaurante e depois foram ao Hospital Barra D’or, onde a mulher foi atendida;
- Às 21h, Lucas mandou uma mensagem para vítima perguntando porquê ela não havia voltado. Em seguida ele disse que “gostou de conhecê-la”.
PorCélio Ribeiro
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.



