Hospital montou 'operação de guerra' para proteger Suzane von Richthofen durante o parto
Condenada a 39 anos pelo assassinato dos pais, Suzane deu à luz o primeiro filho na madrugada de sábado (27), em Atibaia, no interior de São Paulo

Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos pelo assassinato dos pais, deu à luz o primeiro filho na madrugada de sábado (27), no Hospital Albert Sabin, em Atibaia, a 70 quilômetros da cidade de São Paulo. Para o parto, a unidade de saúde montou uma verdadeira "operação de guerra". O objetivo era evitar que a presença de Suzane gerasse um alvoroço público. As informações são do colunista Ulisses Campbell, do jornal O Globo.
Suzane vive com o marido, o médico Felipe Zecchini Nunes, em Bragança Paulista, no interior do estado. Todo o pré-natal foi feito na cidade, pela obstetra Taís Albrecht de Freitas no complexo hospitalar Santa Casa. Mas Suzane costuma ser reconhecida e abordada com frequência no município.
Profissionais foram ameaçados de demissão caso vazassem a informação
Para que a informação não vazasse, a direção do Albert Sabin fez uma reunião com os funcionários para explicar o rígido esquema de segurança que seria montado para o parto de Suzane. O esquema foi considerado inédito para os padrões do hospital.
O plano era o seguinte: Suzane chegaria na madrugada de quinta para sexta, usando um casaco moletom com capuz para cobrir a cabeça. Ela entraria pela porta dos fundos, passaria por um dos laboratórios da unidade e iria, rapidamente, acessar o quarto 117, onde ficaria internada. O roteiro foi seguido à risca, segundo funcionários do hospital.
De acordo com as orientações repassadas, era expressamente proibido falar com Suzane sobre qualquer assunto que não fosse o parto. Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foram, inclusive, ameaçados de demissão caso descumprissem as ordens. Eles também foram proibidos de falar para terceiros que Suzane estava internada no hospital.
"Ficou todo mundo apreensivo, com medo de ser punido. Foi um bochicho generalizado. Quando a informação do parto vazou, ficamos com medo de ser alvo de investigação ou sindicância, porque muita gente viu Suzane no hospital”, disse uma funcionária, sem se identificar.
Suzane teve alta antes do previsto
Suzane estava com a alta prevista para domingo (28) ou esta segunda-feira (29). Porém, Suzane decidiu deixar o hospital na noite de sábado (27). Ela não recebeu nenhuma visita, além do seu marido. Suzane deixou o hospital pela porta dos fundos, assim como na sua chegada. Ela estava acompanhada de uma enfermeira e dois seguranças.
O marido de Suzane vai acompanhar o pós-cesárea dela na casa do casal, em Bragança Paulista.
Para realizar o parto em Atibaia, cidade vizinha a Bragança Paulista, Suzane teve que pedir permissão à justiça. Ela cumpre pena em regime aberto, mas não pode sair dos limites do município, mesmo que seja ir para o município ao lado.
As regras do regime aberto também devem impactar a maternidade de Suzane, já que ela só poderá sair na rua entre 6h e 20h. Caso ela viole as regras, ela poderá voltar para a cadeia. A pena acaba em 2041, quando o filho dela terá 17 anos.
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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


