Embaixador diz não acreditar que corpos encontrados em barco no Pará sejam da Mauritânia
Abdoulaye Idrissa Wagne afirma que é comum que pessoas de outras nacionalidades se dirijam até a Mauritânia para fugir para as Ilhas Canárias; PF encontrou apenas uma identidade do país

O embaixador da Mauritânia no Brasil, Abdoulaye Idrissa Wagne, disse que não acredita que os corpos encontrados em decomposição em um barco no litoral do Pará, no dia 13 de abril, sejam de cidadãos do país.
Documentos localizados pela Polícia Federal apontam que a embarcação estava na Mauritânia, na África, no dia 17 de janeiro deste ano. Dentro do barco os peritos também encontraram documentos que indicavam que as vítimas eram da Mauritânia e de Mali, também no continente africano.
Segundo a ONG espanhola Caminhando Fronteiras, 6.007 pessoas morreram tentando chegas às Ilhas Canárias, arquipélago espanhol na África Ocidental, vindas de países como Marrocos, Mauritânia, Senegal e Gâmbia. Entre o total de vítimas, 395 saíram da Mauritânia.
PF só achou um documento da Mauritânia
O embaixador da Mauritânia revelou que a PF encontrou apenas um documento de identidade do país. Ao UOL, a PF confirmou que encontrou apenas duas identidades no barco: uma da Mauritânia e uma do Mali.
Agora, a PF tenta descobrir a nacionalidade das vítimas através dos 27 celulares encontrados na embarcação. Os aparelhos serão periciados em busca de novas informações.
Na manhã desta quinta-feira (25), os nove corpos encontrados no barco foram sepultados no cemitério São Jorge, em Belém (PA). Já que não se sabe qual era a fé dos imigrantes, o enterro foi realizado em uma cerimônia laica.
Apesar de terem sido enterrados, os corpos ainda podem ser exumados e o traslado feito para o sepultamento no país de origem, caso as vítimas sejam identificadas e as famílias localizadas.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


