Do vendedor de bala a empresários: veja como os impostos impactam na vida dos brasileiros
Dos pequenos aos grandes setores da economia, a influência da elevada carga tributária vem de formas diferentes e gera um efeito cascata

A perda de competitividade e repasse dos impostos ao consumidor estão entre os reflexos da alta carga tributária brasileira. O entrave enfrentado pela indústria é o tema da série de reportagens da série sobre o peso dos impostos na vida dos brasileiros.
- Leia também: Queda em impostos de repelente e protetor solar pode desafogar sistema de saúde brasileiro
A rotina de trabalho de Pedro Romão, que vende balas no Centro de Belo Horizonte, é um retrato da gigante engrenagem que movimenta a economia e a própria base de arrecadação de tributos do Brasil. Mais que isso, demonstra como o valor dos impostos interfere no preço final dos produtos.
“Deixando claro que o grande contribuinte do sistema tributário hoje é o consumidor final. Qualquer indústria ou qualquer comércio, ao fazer a venda das suas mercadorias, fatalmente vai transferir para o consumidor final, todos os encargos relacionados aos impostos que são recolhidos na produção e na cadeia produtiva como um todo. A gente ainda tem a indústria onerada, é claro, por aqueles tributos que incidem sobre o ganho total que ela tem, que é o Imposto de Renda. A cadeia produtiva e a indústria são oneradas em várias frentes, inclusive ela (indústria) é onerada também quando ela faz dos salários”, ressalta.
- Confira também: Reforma tributária pode reduzir valor da cesta básica, mas alimentos industrializados seguem sem impostos adicionais
Atualmente, o grande gargalo do setor envolve os chamados custos ocultos, que são despesas que as empresas precisam arcar para cumprir com todas as obrigações relacionadas ao pagamento dos impostos. Rita Eliza Costa entende que a Reforma Tributária combate este problema, mas ela deveria vir depois da chamada Reforma Administrativa.
“Temos, sim, um grande passo (com a reforma), mas a Federação das Indústrias sempre defendeu que a reforma Tributária teria que vir depois de uma Reforma Administrativa. E por que isso? Porque a gente entende que temos um custo de manutenção, digamos assim do país, muito alto. Acreditava que se essa Reforma Administrativa tivesse visto vindo antes, se a gente tivesse cortado os custos desnecessários, a gente teria um cenário mais favorável para discutir a Reforma Tributária com alíquotas menores.
Desafio
Responsável por 20,9% de toda a riqueza gerada no país, a indústria brasileira responde por 33% de toda a arrecadação de impostos federais. Os números exemplificam o tamanho do desafio que é modernizar o sistema tributário brasileiro de equilibrar essa balança para não comprometer setores que são pilares para o desenvolvimento econômico e social do país.
Júlio Vieira é repórter da Itatiaia.



