Itatiaia

Estradas ruins aumentam gastos do agro e elevam preço de alimentos

Série especial da Itatiaia mostra os impactos da estradas ruins em pilares da economia brasileira como no agronegócio

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Secom / Marcos Vergueiro

Estradas ruins provocam gastos em várias frentes. Elas pesam no bolso de quem produz, de quem transporta e também de quem faz compras no supermercado, alertam representantes do setor de transporte.

'Estradas: o que fazer para o sistema não colapsar?'

Essa foi a pergunta feita pela Itatiaia para alguns dos principais nomes do setor de transporte do país. Ao longo de um mês, a nossa reportagem viajou e conversou com a iniciativa privada e o setor público em Minas Gerais, São Paulo e Brasília.

Em solo mineiro, a nossa reportagem ouviu quem ganha a vida na maior malha rodoviária do país. Na capital paulista, representantes do mercado financeiro e do setor produtivo estão preocupados com as condições das estradas brasileiras. Por fim, na capital federal, no Congresso Nacional, a nossa reportagem ouviu quem assina as leis que podem mudar os rumos do setor de transporte no país.

A nossa viagem começou no supermercado. Graice Duarte faz compras praticamente todos os dias. E, como muita gente, ela anda assustada com o preço de alguns produtos. "Está tudo muito mais caro, não só a cesta básica. Sobreviver está complicado. Você tem que trabalhar muito para conseguir comprar metade do que comprava há seis meses", disse.

Claro que inflação tem várias causas. Mas existe uma conta que quase ninguém vê: a do transporte. Quase tudo o que chega à mesa do brasileiro passou por uma estrada. E quem conhece bem esse caminho é o caminhoneiro Luciano Godoy. Há dezoito anos ele vive nas rodovias. "Já trabalhei na roça. Quando você sai da roça e vê que a estrada está ruim, acha que o asfalto é bom, mas está igual à roça", contou.

E foi acompanhando viagens que chegamos à BR-262, entre Araxá e Uberaba. Por lá, o caminhoneiro Carlos Alexandre levou um susto. Depois de passar por um buraco, a roda do caminhão quase soltou com o impacto da pancada. "Nós estamos na borracharia fazendo manutenção porque a roda vai balançando e isso acaba onerando o consumidor na ponta. Tudo o que fica mais caro para a gente vai aumentando o frete", avaliou.

Especialistas e representantes do setor disseram que um buraco na estrada não é um problema isolado. Em Brasília, projetos e tentativas de melhorias das estradas se arrastam. A BR-262 ajuda a explicar isso. Enquanto um trecho da rodovia, entre Betim e Uberaba, entrou em um novo ciclo de investimentos por meio da concessão à iniciativa privada, outro projeto importante continua parado antes mesmo do início das obras.

O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a licitação para elaborar os projetos de duplicação entre João Monlevade e a divisa de Minas com o Espírito Santo. A discussão não é sobre a obra em si. O TCU questiona critérios usados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no edital da licitação. Enquanto isso não for resolvido, o projeto continua parado.

O prejuízo que pode acabar com o lucro do caminhoneiro e do setor

Um único pneu cortado em um buraco pode representar um prejuízo superior a R$ 3 mil. Dependendo da viagem, isso pode ser maior que o lucro que o caminhoneiro ou empresaria teriam com o frete inteiro.

Em São Paulo, a Itatiaia conversou com um representante de uma das maiores transportadoras da América Latina. Com 37 mil funcionários e atuando em nove países, a JSL realiza 12 mil viagens por dia. O CEO Guilherme Sampaio afirma que estradas ruins e caminhão parado são sinônimos de gasto para o empresário e aumento de preço na prateleira do supermercado.

"A qualidade da estrada está ligada à eficiência do transporte. Quanto mais fácil conseguimos mover os produtos de um ponto A a um ponto B, de um centro de distribuição para a prateleira de um supermercado, menos custoso o sistema fica. O preço do produto fica mais barato. Estamos falando de manutenção e segurança. Quando temos uma estrada ruim, temos uma política de não rodar à noite para evitar qualquer tipo de problema com o caminhoneiro. Isso aumenta o custo do sistema como um todo. Estradas com boa infraestrutura e segurança ajudam a reduzir o preço do produto final", disse.

Para o presidente do Sistema FAEMG e vice-presidente da CNA, Antônio de Salvo, o país precisa de políticas públicas claras e permanentes para melhorar a infraestrutura de transporte. "O que falta no Brasil é continuidade de governos sérios, que se preocupem com o que afeta a população, e não fiquem dando paliativos para o povo. Se o governo não quiser fazer, terceirize. Quem sabe esse não é um caminho? Não é privatizar tudo, mas parte disso", concluiu.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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