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Dia da Amazônia - a necessidade e a urgência da participação das juventudes

Leia a coluna de Alcielle dos Santos

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Desmatamento na Amazônia tem queda de mais de 20%, diz Inpe | CNN Brasil
Amazônia, a área sob alerta para desmatamento foi de 3.817 km², redução de 8,7% em comparação com o ano passado • Créditos: CNN Brasil

“Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério. O jovem do Brasil não é levado a sério.” (Charlie Brown Jr)

Este verso integra a letra de “Não é sério”, uma das músicas da banda Charlie Brown Jr., com participação da cantora Negra Li. Na letra de música do grupo de Santos/SP, município onde nasci, aparece uma realidade que precisa ser cuidada por todos nós e que já observo estar se transformando.

Os jovens do Brasil precisam ser levados a sério. E isso passa pelo processo de educação com participação social. Ou seja, nas escolas, os interesses, sentimentos, problemas e todas as questões da infância e juventude precisam fazer parte das aulas e projetos planejados por seus professores. Aprender é algo de natureza ativa, ou seja, seres humanos só aprendem quando podem dialogar, ler, escrever, realizar algo a partir daquilo que estão aprendendo. Se esse processo se der a partir de algo de seu interesse, uma questão muito importante para o seu cotidiano, a mágica acontece: a aprendizagem se torna significativa.

Importante destacar que a política nacional para o Ensino Médio indica que a formação nas escolas permita que os jovens adquiram conhecimentos e desenvolvam habilidades, para que possam ser agentes de mudanças nas suas comunidades. Portanto, não basta decorar os nomes dos rios de um município ou estado, é necessário compreender as intervenções humanas no leito dos rios, o que as motivou e quais as consequências ambientais nesse processo. Principalmente, é essencial construir compreensão e atuação na defesa do rio não como recurso, mas como parte do ambiente e território de todos os que moram ali, como direito e responsabilidade de cada um.

Escrevo esse texto hoje de Belém, no Pará, onde participo de um evento sobre educação e sustentabilidade, que conecta conhecimentos e promove diálogos a partir de práticas educativas, educação indígena, quilombola e de outras comunidades tradicionais para o debate sobre as mudanças climáticas. Nele, encontrei uma das jovens que me dá esperança de que vamos construir coletivamente uma sociedade mais ética, justa, democrática, inclusiva, solidária e sustentável:

Quando começaram as discussões sobre clima, pensamos que nada sabíamos e com o tempo, começamos a perceber que já sabíamos do que falavam.

roberta sodré
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Alcielle é diretora de educação do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É doutora em Psicologia da Educação e mestre em Educação: Formação de Formadores