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Demanda por repelente dobra e fabricantes têm que inovar para conseguir abastecer mercado

Empresas aumentaram linhas de produção, ampliaram a compra de matérias-primas e passaram a ter estoques acima da média

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Doença transmitida pelo Aedes aegypti matou 987 pessoas em 2022
Doença transmitida pelo Aedes aegypti matou 987 pessoas em 2022 • Divulgação | Fiocruz

O Brasil já registrou mais de 1 milhão de casos prováveis de dengue em 2024, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (29). Em meio ao auge da doença no país, os fabricantes de repelente viram a demanda pelo produto dobrar. Para conseguir abastecer as farmácias do país, as indústrias adotam estratégias inovadoras para ampliar a produção.

De acordo com o diretor comercial Adibe Marques, da Cimed, fabricante do repelente Xô Inseto, a indústria fabricava 500 mil unidades por mês antes da epidemia de dengue. Agora, a produção já chega a 1 milhão de unidades mensais.

Um dos desafios para manter os estoques do produto em dia é a matéria-prima. No caso da Cimed, um dos componentes do repelente vem por da China e o transporte é feito por navio. O insumo demora cerca de 120 dias para chegar ao Brasil.

"Temos insumos importados, o que por si só já traz uma dificuldade para conseguirmos uma quantidade extra de fornecimento, e que se agrava quando tratamos de um grande volume físico (mais de 30 toneladas), o qual só pode ser transportados por navio, inviabilizando o modal aéreo", finaliza.

A Reckitt, fabricante dos repelentes SBP e Repelex, conta que já se preparava para um aumento da demanda em 2024.

"Desde o planejamento comercial para o verão de 2023/2024, já haviam estudos que apontavam os impactos que o fenômeno do El Niño causaria neste ano, como aumento do calor e chuvas, e, consequentemente, uma maior incidência de casos de dengue já era esperada. Por isso, já havia sido desenvolvida uma estratégia adequada", informou Ana Beatriz Guerra, diretora de Marketing da categoria de Pesticidas à Itatiaia.

Para que as farmácias não ficassem desabastecidas, a empresa afirma que reforçou a comunicação com os estabelecimentos para que eles comprassem um estoque acima da média "para garantir disponibilidade de todos os produtos à população".

A Reckitt também diz que precisou fazer alterações na linha de produção para ampliar a fabricação dos repelentes. A empresa afirma que otimizou a capacidade de produção em sua unidade industrial e implementou medidas emergenciais de aquisição de matérias-primas. "A prioridade é garantir a presença em loja e reabastecimento rápido", garante a diretora de marketing.

Farmácias de BH registraram falta do produto no início do mês

No início de fevereiro, as farmácias de Belo Horizonte estavam com baixos estoques de repelente, em meio a alta da dengue em Minas Gerais. O estado concentra o maior números de casos do país e está em estado de emergência desde 27 de janeiro.

Segundo o grupo RaiaDrogasil, a demanda por repelentes cresceu seis vezes entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. A alta fez com que os estoques de repelentes das lojas do grupo permanecessem abaixo do comum. A empresa afirma que, agora, a demanda continua alta, mas os estoques estão regularizados.

A Drogaria Araújo também garante que está com os estoques normalizados. No início do mês, a rede de farmácias chegou a dizer que as fabricantes de repelentes estavam formalizando o risco de desabastecimento do produto, já que a demanda estava muito maior do que a capacidade produtiva.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.