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Crise climática

Discurso de Lula na ONU: em que pese um discurso que demonstra preocupação com o meio ambiente, o que se denota é que o período governado pelo atual presidente foi marcado por um número alarmante de desastres ambientais

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Brasil teve 11 milhões de hectares queimados entre janeiro e agosto de 2024 | CNN Brasil
Créditos: CNN Brasil

O presidente do Brasil abriu, no dia 24 de setembro, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Em seu discurso abordou diversos temas, dentre os quais a crise climática que assola todo o mundo.

Na oportunidade mencionou a negligência dos países em relação às metas de redução de emissão de carbono, chamou a atenção para o aquecimento global, alertando sobre a possibilidade de este ser o ano mais quente da história, lamentou o fato de o auxílio financeiro não chegar aos países mais pobres, defendendo um maior financiamento climático, além de citar desastres ambientais ocorridos em diversos países.

No que tange ao Brasil, falou sobre as enchentes do sul do país, sobre a estiagem na Amazônia, que é a pior dos últimos 45 anos, e sobre os incêndios florestais que, somente no mês de agosto, destruiu 5 milhões de hectares.

Contudo, em que pese um discurso que demonstra preocupação com o meio ambiente, o que se denota é que o período governado pelo atual presidente foi marcado por um número alarmante de desastres ambientais, havendo, inclusive, um aumento significativo do índice relativo às queimadas, sem que fossem tomadas medidas eficazes para a sua redução.

Sabe-se que as queimadas têm um impacto devastador no meio ambiente, afetando diretamente a fauna, a flora e os recursos hídricos. A fauna local é forçada a migrar ou, em muitos casos, é dizimada, enquanto várias espécies de flora, algumas endêmicas, podem ser extintas ou ter sua regeneração comprometida.

As nascentes, essenciais para o abastecimento de rios e aquíferos, são particularmente vulneráveis, pois a destruição da vegetação ao seu redor reduz a capacidade de retenção de água, comprometendo sua recarga.

Outrossim, a queimada das matas ciliares, que protegem as margens de rios, leva ao aumento da erosão e ao assoreamento dos cursos d'água. Ademais, a liberação massiva de gases de efeito estufa nas queimadas acelera o aquecimento global, agravando o atual cenário.

Isso se torna extremamente conflitante por se tratar de um governo que, ao contrário do anterior, tinha como uma das principais pautas a proteção ambiental, acabando por criar um cenário de preocupação e decepção.

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Cristiana Nepomuceno é bióloga, advogada, pós-graduada em Gestão Pública, mestre em Direito Ambiental. É autora e organizadora de livros e artigos.

 

 

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