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Conselho Federal de Odontologia perde R$ 40 milhões após investir em empresa de 'estelionatário'

Ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), Raphael Motta alega haver irregularidades na realização dos investimentos do CFO

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Conselho Federal de Odontologia perde R$ 40 milhões após investir em empresa
Conselho Federal de Odontologia perde R$ 40 milhões após investir em empresa de 'estelionatário' • Reprodução/ Google Street View

O Conselho Federal de Odontologia (CFO), uma autarquia pública, afirma sem vítima de golpe de R$ 40 milhões de um empresário paulista após investir em um negócio de montagem de cadeiras.

O empresário Flávio Batel, que morreu em novembro do ano passado, era acusado de ter captado cerca de R$ 100 milhões em investimentos em um empreendimento que nunca deu retorno aos investidores.

Denúncias de dentro do CFO indicam que um membro da gestão na época dos investimentos teria viabilizado a transação financeira com dinheiro da autarquia pública no esquema de pirâmide. Contribuições mensais de dentistas e profissionais da odontologia pararam na empresa do possível responsável pelo esquema de pirâmide.

Denúncia

O ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), Raphael Motta, denuncia a gestão do Conselho Federal.

“O mais curioso é que, quando a pirâmide estava indo água abaixo, o dinheiro não estava sendo mais localizado e as pessoas já não recebiam aquela rentabilidade prometida, esse sócio do atual presidente do CFO montou uma empresa de saúde com esse estelionatário, vinculada a uma empresa no exterior. O estelionatário transferiu toda a empresa para esse sócio do presidente do CFO, que tem um vínculo, também, com a empresa internacional. E tudo estava mascarado nos balancetes e na prestação de contas do CFO”.

raphael motta

CFO se pronuncia

Em nota enviada à reportagem, o Conselho Federal de Odontologia admite que houve investimento na empresa do empresário nas gestões de 2018 a 2021 e de 2022 a 2024.

O CFO alega que foi vítima de um golpe financeiro elaborado por Flávio Batel e suas empresas e que tudo está documentado em ação judicial e diz lamentar que pessoas mal intencionadas e com objetivos escusos estejam utilizando o episódio para desestabilizar a entidade.

A entidade assegura que a atual gestão faz apurações internas e auditorias sobre o caso.

Presidente do CFO se pronuncia

O atual presidente do Conselho Federal de Odontologia, Cláuio Miyake, disse à reportagem em nota enviada via assessoria do CFO que, na época da operação financeira, não ocupava cargo ou função vinculada à decisão do conselho de investir no empreendimento do empresário, não teve relações com as prestações de contas e nem sabia sobre os investimentos.

Cláudio Kubota se pronuncia

Confira o posicionamento enviado à Itatiaia pela assessoria de imprensa do empresário Carlos Kubota, acusado de ter intermediado os investimentos do Conselho Federal de Odontologia na Solstic Capital Investimentos e Participações Ltda:

São absolutamente falsas as acusações de que o empresário Carlos Kubota ou qualquer de suas empresas tenha recebido pagamentos pela intermediação de negócios entre o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Solstic Capital, Investimentos e Participações Ltda.

Kubota conheceu o dono da Solstic Capital, Investimentos e Participações Ltda., o sr. Flávio Battel, que faleceu em novembro em 2024, e fez investimento em sua empresa. Mas não conseguiu recuperar os valores investidos, sendo mais uma das muitas vítimas das atividades desse senhor.

O empresário Carlos Kubota se solidariza com todas as vítimas e se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos que possam ajudar a elucidar as fraudes que afetaram muitas pessoas físicas e jurídicas no país”.

Escritório de Flávio Batel se pronuncia

O escritório de advocacia que representou o empresário Flávio Batel, a Hofling Sociedade de Advogados, disse em nota que Flávio tirou a própria vida em novembro do ano passado, e, com isso, boa parte dos inquéritos foi arquivada. Batel passou por dificuldades financeiras após a pandemia, quando o negócio de montagem de cadeiras decaiu, em 2022. Um Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) estava prestes a ser concluído com as vítimas, mas Flávio faleceu antes.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.