Fisioterapeuta é presa após clientes denunciarem partes íntimas mutiladas a queimaduras nas mamas
De acordo com o delegado responsável pela investigação, a mulher possui formação na área de estética, mas não poderia atuar prestando os serviços que realizou nas vítimas

A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa na segunda-feira (21), em Goiânia, após denúncias de pacientes que relataram complicações graves depois de procedimentos estéticos. Segundo a Polícia Civil, inicialmente sete mulheres procuraram as autoridades. Após a divulgação da prisão, outras duas pacientes também relataram problemas relacionados aos atendimentos.
Entre as denúncias estão relatos de mutilação de partes íntimas, queimaduras nas mamas, perda de sensibilidade, dores intensas, inchaço, hematomas, secreções, bolhas e cicatrizes.
Após passar por audiência de custódia na terça-feira (22), Magda permaneceu presa. Ela deve responder por lesão corporal gravíssima.
Segundo o delegado Alex Rodrigues, responsável pela investigação, a profissional tem formação na área de estética, mas, de acordo com a apuração, não poderia realizar alguns dos procedimentos feitos nas pacientes.
“A investigação aponta que, em determinados procedimentos, teriam sido realizados cortes, retirada de partes de tecidos e alterações da anatomia das pacientes, além da prescrição ou fornecimento de medicamentos, circunstâncias que teriam extrapolado os limites técnicos e legais da atuação profissional”, afirmou a Polícia Civil.
O que dizem as pacientes
Entre as sete primeiras mulheres que procuraram a polícia, três relataram ter sido submetidas a ninfoplastias, procedimento realizado na região íntima.
Uma das pacientes relatou sangramento, dor intensa, perda de sensibilidade no clitóris e dificuldade para manter relações sexuais.
Outra afirmou ter sofrido lesões no clitóris, nos pequenos e grandes lábios e no períneo. Segundo o relato apresentado à polícia, a mulher passou a ter dificuldade para urinar e evacuar e pode precisar de cirurgia reconstrutiva. Ela também relatou prejuízos à sensibilidade e à vida sexual.
Paciente teve queimaduras nas mamas
Outra denúncia envolve uma paciente que relatou ter sofrido queimaduras graves nas mamas após um procedimento.
Segundo o delegado, a mulher afirmou que recebeu a orientação de aplicar óleo de girassol nas áreas afetadas. A justificativa apresentada a ela teria sido de que as queimaduras seriam uma reação normal ao procedimento.
Outras pacientes também relataram complicações depois de procedimentos com fios, aplicações e outras intervenções estéticas.
Entre os problemas mencionados à polícia estão:
- dor intensa;
- inchaço;
- hematomas;
- secreção;
- bolhas;
- queimaduras;
- cicatrizes;
- perda de sensibilidade.
Uma das pacientes também relatou à TV Anhanguera que percebeu problemas relacionados à higiene durante o atendimento. Segundo ela, não teriam sido utilizadas luvas estéreis ou máscara, e papel-toalha teria sido usado para secar um sangramento.
“Ela estava muito gripada, cheia de pulseira, anel. Ela limpava o nariz com o braço e voltava a fazer o procedimento”, relatou a paciente à TV Anhanguera.
Defesa diz confiar na Justiça
A Sílvio Maia Assessoria vem, por meio desta, informar que não fará nenhum tipo de comentário em relação ao caso envolvendo Magda Oliveira da Silva.
Esclarece-se que todas as manifestações ocorrem estritamente no âmbito dos autos do processo. A defesa reitera total confiança na Justiça e reafirma a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da instrução processual.
Conselho abriu processo para investigar conduta
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região – CREFITO 19, Autarquia Pública Federal criada para defender os interesses públicos e proteger a sociedade por meio da fiscalização do exercício profissional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, no uso de suas atribuições legais e representado por seu Presidente, vem, respeitosamente, por meio desta, esclarecer que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida, e da prisão preventiva de uma profissional Fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil do Estado de Goiás sobre supostos danos causados a pacientes em procedimentos estéticos.
O CREFITO-19 instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos. Caso confirmados, os fatos expostos configurarão grave desvio da prática profissional e serão tratados com o rigor cabível, no âmbito do referido processo administrativo. O CREFITO-19 se coloca à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar com a investigação em curso e reitera seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes e com a fiscalização ética do exercício profissional na região.
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