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Caso Renato Cariani: veja outros influenciadores que já foram alvo da polícia

O influenciador fitness Renato Cariani é investigado por participar de quadrilha suspeita de desviar produtos químicos para a produção de cocaína e crack

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Influenciadores investigados pela polícia. Na foto estão: Renato Cariani, Pablo Marçal e Deolane Bezerra
Influenciadores são investigados pela polícia • Reprodução

O influenciador fitness Renato Cariani é alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (12). A corporação investiga uma quadrilha suspeita de desviar produtos químicos para a produção de cocaína e crack. A PF aponta que 19 toneladas de crack e cocaína podem ter sido fabricadas com os produtos desviados pelo grupo.

O fisiculturista é sócio de uma indústria química de Diadema, na Grande São Paulo. A casa dele foi um dos locais de busca e apreensão feita pela PF. A casa dele foi um dos locais de busca e apreensão feita pela PF.

Renato Cariani é considerado um dos maiores influenciadores do segmento fitness nas redes sociais. Somente no Instagram, ele tem 7,3 milhões de seguidores. São 6,3 milhões de inscritos no canal dele no YouTube 1 milhão no TikTok.

Além de Renato, outros influenciadores já foram alvos de operações da Polícia Federal.

Pablo Marçal

O influenciador e coach Pablo Marçal ganhou destaque na mídia no começo de 2022 depois de colocar 32 pessoas em risco ao realizar uma expedição motivacional ao Pico dos Marins (SP). O grupo precisou ser resgatado após ficar preso no topo da montanha por conta de uma tempestade. Em junho deste ano, um dos seguidores do influenciador teve uma parada cardíaca e morreu após percorrer uma maratona de uma empresa do coach, em Barueri.

Em 5 de julho, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Marçal e a um sócio dele. Eles são investigados por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita eleitoral e lavagem de dinheiro - crimes ocorridos durante as eleições de 2022.

Na ocasião, Marçal chegou a se lançar como candidato à presidência nas eleições de 2022 pelo PROS (Partido Republicano da Ordem Social). No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral negou a candidatura dele. O partido acabou retirando a candidatura do influenciador. Então, ele disputou uma vaga à Câmara dos Deputados, recebeu mais de 240 mil votos, mas não teve o registro de candidatura aceito.

De acordo com a PF, Marçal e o sócio fizeram doações milionárias às campanhas e boa parte desses valores foi remetido posteriormente às próprias empresas das quais são sócios.

Deolane Bezerra

De acordo com um relatório policial da Polícia Civil de São Paulo, acessado pelo colunista Erlan Bastos, do Portal Em Off, Deolane Bezerra e outros influenciadores estão sendo investigados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e delitos contra o sistema financeiro.

Segundo a PC, os influenciadores utilizam seus perfis para divulgar jogos de azar online. Nas postagens, os influenciadores publicam links que indicam qual a banca virtual e o momento exato que o seguidor deve fazer a aposta, prometendo um retorno financeiro rápido e alto. A investigação aponta que os suspeitos divulgam os links sem se responsabilizar pelo pagamento do prêmio, mas que lucram uma porcentagem em cima da operação.

Além de Deolane, a irmã dela, Dayanne Bezerra, o funkeiro MC Gebê, a tiktoker Alannis Proença, e os influenciadores Débora Paixão, Emerson Preto e Alyne Lary estão entre os investigados.

Em 2022, Deolane teve bens como joias, celulares, computadores e carros de luxo apreendidos pela Polícia Civil de SP. Na época, ela e o humorista Tirulipa eram investigados por participar de ações publicitárias da empresa Betzord - empresa de apostas esportivas na internet. A Betzord suspeita de cometer “crime contra a economia popular e associação criminosa”.

De acordo com a irmã de Deolane, a polícia apreendeu dois carros, uma Land Rover Discovery e um Porsche, avaliado em R$ 1 milhão. Relógios da marca Rolex e uma agenda com anotações também foram levadas.

'Jogo do Tigrinho'

Influenciadores mostravam vida de luxo ao divulgar Em novembro deste ano, três influenciadores paranaenses foram presos por aliciarem seguidores através do chamado "jogo do tigrinho". Eduardo Campelo, Gabriel e Ricardo teriam movimentado pelo menos R$ 12 milhões com o esquema. O quarto suspeito envolvido, Ezequiel, não foi encontrado pela polícia. As informações foram divulgadas no Fantástico, da TV Globo.

Dez dias após a prisão, os influenciadores foram soltos - em 29 de novembro. De acordo com a Polícia Civil do paraná, o grupo divulgava o jogo "Fortune Tiger", também conhecido como "jogo do tigrinho". Eles prometiam ganhos financeiros acima da média. Nas redes sociais, os homens apareciam ostentando e dirigindo carros de luxo para comprovar que teriam enriquecido com o jogo online.

Segundo a investigação, o jogo se trata de um esquema criminoso de apostas, que deixavam as vítimas no prejuízo. Os influenciadores seriam contratados para aliciar pessoas e convencê-las a apostar dinheiro no jogo. A atividade é considerada ilegal pelas autoridades brasileiras.

No Maranhão, um esquema parecido é investigado. O primeiro alvo foi a influenciadora Skarlete Melo. A polícia apreendeu R$ 1 milhão em dinheiro e três carros de luxo da influenciadora. Outros 15 influenciadora já foram ouvidos pelos policiais.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.