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Brigadeirão envenenado: namorado de cigana diz que viu suspeitas moerem remédio que matou empresário

Sessenta comprimidos teriam sido moídos e colocados no doce; exames confirmaram a presença da substância no corpo da vítima

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Suyany realizava trabalhos espirituais para Júlia • Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro diz já ter provas suficientes de que a psicóloga Júlia Cathermol Andrade Pimenta, 29 anos, matou o empresário e namorado dela, Luiz Marcelo Antônio Ormond, de 45, com um brigadeirão envenenado. A suspeita teria colocado cerca de 60 comprimidos de um medicamento à base de morfina no doce. Exames confirmaram a presença da substância no corpo do empresário.

Apesar da psicóloga ser a principal suspeita de matar Luiz Marcelo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeita que, na verdade, a “mandante” do crime foi outra pessoa. Os investigadores acreditam que cigana Suyany Breschak teria arquitetado a morte do empresário. “Nesse momento, podemos falar com bastante segurança que há nos autos muitos elementos indicativos de que Suyany seria a mandante e a arquiteta desse plano criminoso”, afirmou o delegado Marcos Buss, que investiga o caso.

O namorado da cigana disse, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que viu as duas moerem os comprimidos que foram colocados no brigadeirão. "Eu não sabia que ela era capaz de fazer uma coisa dessa. De auxiliar alguém a matar outra pessoa", disse o homem, que não foi identificado.

'Fui malhar e ele tá lá mortinho'

A polícia acredita que Júlia conviveu com o cadáver do namorado durante todo o fim de semana, dos dias 17 a 19 de maio. Nesse período, ela foi filmada por câmeras de segurança do prédio onde morava com a vítima deixando o apartamento para malhar. O namorado de Suyany afirma que a psicóloga chegou a mandar uma mensagem para a cigana após o crime.

"Ela chegou a falar que a Julia mandou uma mensagem para ela [Suyany] assim: 'eu vim aqui malhar e ele está lá mortinho'".

Suspeitas foram presas

Júlia chegou a prestar depoimento a polícia no dia 22 de maio, dois dias após o corpo de Luiz Marcelo ter sido encontrado. Porém, ela foi liberada por falta de base legal para a prisão. Ainda no dia 22, após ouvir a suspeita, a polícia pediu que a Justiça do Rio de Janeiro expedisse um mandado de prisão contra a mulher, o que foi feito no dia 28 de maio.

Além de Luiz Marcelo, a psicóloga tinha um outro relacionamento com Jean Cavalcante Azevedo. Após ser ouvida pela polícia, Júlia foi para a casa de Jean, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, onde ficou do dia 22 ao dia 27. No dia 28, a polícia foi até o local, mas Júlia já não estava mais lá. No mesmo dia, ela foi para um hotel e usou um nome falso para se hospedar. No dia 4 de maio, após ficar uma semana foragida, a psicóloga decidiu se entregar para a polícia.

Já a cigana foi presa na noite do dia 28 de maio, em Cabo Frio, na região dos Lagos. Suyany já era investigada por ter participado do crime e ajudado Júlia a se desfazer dos bens do empresário após o assassinato. Após ouvir testemunhas, a polícia começou a desconfiar que ela e a psicóloga teriam tramado a morte de Luiz Marcelo por mensagens de celular.

Entenda o crime

Luiz foi dado como desaparecido no dia 17 de maio. Câmeras de segurança flagraram Júlia e Luiz Marcelo no dia da morte do empresário. As imagens, gravadas pelas câmeras de monitoramento do prédio onde o casal morava, no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da capital, flagraram a vítima com o doce em mãos, dentro do elevador.

A primeira imagem é do dia 17 de maio, dia da morte do empresário. Às 17h04, o casal aparece no elevador do prédio com duas cervejas e um prato em mãos. Os dois descem até a portaria e voltam 40 minutos depois. Às 17h46, o casal aparece novamente no elevador já sem as cervejas, mas ainda com o prato. Para a polícia, existe a possibilidade do prato conter o brigadeiro envenenado. Neste mesmo dia, Luiz Marcelo come o brigadeirão e morre.


Suspeita de matar namorado envenenado com brigadeirão mantinha dois relacionamentos, segundo a polícia do RJ | CNN BrasilDe acordo com o laudo da necrópsia, Luiz morreu três ou seis dias antes do corpo ser localizado. Com isso, a polícia acredita que Júlia chegou a dormir na mesma casa onde estava o cadáver durante todo o fim de semana dos dias 18 e 19 de maio.

No dia 19, as câmeras do prédio filmaram Júlia dentro do elevador, vestida com uma roupa de academia. Às 10h53, ela volta para o apartamento sozinha e parece mandar um áudio ainda dentro do elevador. No dia seguinte, em 20 de maio, Júlia aparece deixando o prédio com uma mala.

Na fuga, a suspeita teria levado os pertences do empresário e o carro dele. Nesse tempo, ainda segundo a polícia, ela chegou a enviar mensagens pelo celular do empresário se passando por ele. No mesmo dia, após Júlia fugir, o corpo do empresário foi encontrado no apartamento. Vizinhos chamaram a polícia após sentirem um cheiro forte no local.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.