Brasileiros recorrem ao EB-5 para obter Green Card e viver nos EUA
Com aporte a partir de US$ 800 mil, o visto EB-5 garante residência permanente nos Estados Unidos; alternativa é vista como 'segura' em meio à incerteza sobre novo programa anunciado por Trump

Diante do sonho de viver legalmente nos Estados Unidos, cada vez mais brasileiros estão optando por um caminho direto: investir para conquistar o Green Card. O visto EB-5, criado em 1990 pelo governo americano, é atualmente uma das formas mais seguras e estruturadas para obter a residência permanente no país por meio de investimento.
O modelo exige o aporte mínimo de US$ 800 mil (cerca de R$ 4,4 milhões na cotação atual) em um negócio que gere ao menos dez empregos em tempo integral para trabalhadores americanos. Em troca, o investidor e sua família recebem o Green Card, documento que garante o direito de morar, trabalhar e estudar legalmente nos EUA.
Em meio à expectativa sobre um novo tipo de visto anunciado pelo ex-presidente Donald Trump - o chamado ‘Gold Card’, que promete atrair investidores estrangeiros dispostos a investir ao menos US$ 5 milhões —, o EB-5 se mantém como uma opção consolidada.
“Diferente do Gold Card, que será a fundo perdido, ou seja, sem garantia de recuperação do valor investido, o EB-5 permite que o investidor recupere o que investir, dependendo do projeto escolhido”, explica, ao Uol, Eduarda Costa, diretora comercial da empresa especializada em imigração D4U.
Como funciona o EB-5
O visto EB-5 pode ser obtido de duas formas. A primeira é o investimento direto, ideal para quem quer manter controle sobre o próprio negócio. Nesse formato, o investidor precisa comprovar a criação de dez empregos diretos nos EUA.
A segunda opção é o investimento indireto, por meio de ‘Centros Regionais’ aprovados pelo governo americano. Nesse caso, o processo é mais flexível: o investidor não precisa gerir o negócio diretamente e a geração de empregos pode ser indireta ou induzida.
Ambas as modalidades abrangem desde a abertura de negócios próprios - como restaurantes, mercados ou lojas, até a compra de franquias já estabelecidas, que oferecem estrutura e suporte operacional. Para especialistas, o importante é garantir o cumprimento das exigências de geração de empregos e valor investido.
Quem busca o visto
Segundo a D4U, o perfil de brasileiros que buscam o EB-5 inclui executivos em transição de carreira, empresários em busca de estabilidade econômica e famílias que priorizam qualidade de vida e segurança. Muitos encaram a mudança como uma estratégia de longo prazo, inclusive com vistas à cidadania americana.
“Os Estados Unidos continuam sendo o sonho de muitos imigrantes, mesmo com o endurecimento de regras. Não deve ser diferente no futuro. Não vemos retrocesso na procura, mas os interessados agora se preparam melhor, com maior rigor, o que aumenta as chances de sucesso”, afirma Eduarda Costa.
Riscos e cuidados
Embora seja considerado um dos vistos mais seguros, o EB-5 não está isento de riscos. A aprovação depende do cumprimento rigoroso de critérios migratórios e financeiros, como a comprovação da origem legal dos recursos investidos e a geração dos empregos exigidos. A escolha do projeto também é um fator crítico - um investimento mal planejado pode comprometer todo o processo.
Outros caminhos
Além do EB-5, brasileiros também têm recorrido aos vistos EB-1 e EB-2, voltados a profissionais com qualificações excepcionais. O EB-2 com National Interest Waiver (NIW), por exemplo, dispensa a oferta de emprego caso o candidato comprove que sua atuação profissional traz benefícios substanciais aos EUA. Já o EB-1 é direcionado a profissionais com reconhecimento internacional, como pesquisadores e acadêmicos.
Green Card
O Green Card é a porta de entrada para a cidadania americana. Após cinco anos como residente permanente (ou três, no caso de casamento com cidadão americano), o portador do documento pode solicitar a naturalização. Enquanto isso, já pode usufruir de benefícios como acesso a escolas públicas, serviços públicos e livre circulação pelo país. Apenas o voto e a ocupação de cargos públicos permanecem exclusivos de cidadãos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



