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Brasil registra 250 mil vítimas com sequelas permanentes no trânsito a cada ano

ONG propõe criação de seguro obrigatório para amparar acidentados, diante do alto índice de desassistência e da violência no tráfego

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O feriado prolongado de Finados terminou com 29 mortos nas rodovias estaduais e federais de Minas, conforme balanço divulgado nesta terça-feira pelas polícias Militar Rodoviária e Rodoviária Federal.
Número real de vítimas pode ser maior • Foto: PRF/Divulgação

O trânsito brasileiro deixa, todos os anos, cerca de 250 mil pessoas com sequelas permanentes em decorrência de acidentes, segundo o Estudo dos Custos de Acidentes de Trânsito no Brasil, do Instituto de Segurança no Trânsito. Especialistas alertam, no entanto, que o número real pode ser ainda maior devido à subnotificação dos casos.

A gravidade do cenário coloca o Brasil na terceira posição mundial em mortes no trânsito, de acordo com o relatório Status Report on Road Safety, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A violência viária e a falta de políticas públicas de suporte às vítimas são alvos de críticas por parte de organizações da sociedade civil.

Diante dessa situação, o CDVT articula com autoridades em Brasília a criação de um seguro obrigatório para vítimas de trânsito, nos moldes do SOAT (Seguro Obrigatório de Acidentes de Trânsito), já adotado em países como Peru, Equador e Venezuela. O modelo prevê cobertura médica e hospitalar independentemente da culpa no acidente.

“Estamos buscando apoio no Congresso e entre ministros para que essa pauta avance. O Brasil tem um dos trânsitos mais violentos do mundo e não podemos permitir que as vítimas, especialmente as mais vulneráveis, fiquem sem nenhum respaldo do Estado”, afirma Almeida.

O conceito de seguro obrigatório para vítimas de acidentes não é novo: surgiu na Suécia, em 1929, e hoje é adotado por diversos países, inclusive em contextos econômicos inferiores ao brasileiro. Para Almeida, o amparo deve ser universal. “Seja motorista, passageiro ou pedestre, todos têm direito a um tratamento digno. Não podemos mais tolerar esse descaso.”

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.