Supertufão que se forma no Pacífico pode ameaçar clima no Brasil? Veja o que diz especialista
Furacão, de categoria 5, teve ventos que chegaram a 306 km/h; meteorologistas explicam relação do ciclone com o fenômeno El Niño

A formação de um supertufão no Oceano Pacífico chamou a atenção de meteorologistas ao redor de todo o mundo nesta semana. Conhecido como “Sinlaku”, o ciclone é um furacão de categoria 5, a mais forte delas, e já registrou ventos que chegaram até a 306 km/h nesta segunda-feira (13), segundo o (JTWC) Joint Typhoon Warning Center, órgão climático da Marinha dos Estados Unidos.
Nesse momento, o furacão está concentrado na costa leste das Filipinas, país do Sudoeste Asiático. A previsão é de que o supertufão suba para o norte e perca força gradativamente. A formação do furacão acontece tipicamente diante de um aumento da média da temperatura dos oceanos. Esse processo também é o mesmo identificado na formação do fenômeno conhecido como El Niño. Com isso, alguns especialistas apontam que o Sinlaku pode ser um anúncio da chegada do El Niño.
Impactos no Brasil
No Brasil, a preocupação se dá pela possibilidade de aproximação do território e quais as consequências ele pode trazer para o clima. Pensando nisso, a reportagem da Itatiaia conversou com Lucas Oliver, que atua como professor de Geografia e cientista climático. Antes de tudo, é preciso entender o que de fato significa um “Supertufão”.
Como explica o professor, um “tufão” nada mais é que um furacão ou um ciclone. A diferença entre esses fenômenos se concentra apenas na nomenclatura, que muda de acordo com a localização de ocorrência deles.
“Tufão, furacão e ciclone tropical são a mesma coisa. Furacão é o nome que se dá quando acontece no Oceano Atlântico, ciclone quando acontece no Oceano Índico e tufão quando acontece no Oceano Pacífico. Então, é só uma questão de nomenclatura. Já um supertufão seria o que a gente considera aqui no Atlântico como um furacão categoria 5. Ou seja, é o furacão mais forte que tem”, explicou o professor.
Apesar de alguns meteorologistas associarem a formação de um supertufão, como o Sinlaku, a chegada de um El Niño, o professor Lucas Oliver diz que é difícil relacionarmos diretamente o furacão no Sudoeste Asiático às mudanças climáticas que um El Ninõ pode trazer ao Brasil.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele faz parte do sistema conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que alterna entre três fases: El Niño (aquecimento), La Niña (resfriamento) e condição neutra. Durante o episódio de El Niño, as temperaturas da superfície do mar ficam, no mínimo, 0,5°C acima da média por um longo período.
O especialista alerta que os impactos do El Niño devem atingir o Brasil somente a partir do segundo semestre do ano, em meados de agosto. Ainda segundo ele, os efeitos só serão sentidos mesmo com a chegada do verão, a partir de novembro.
A previsão é confirmada pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Segundo divulgado pelo órgão, o mais recente boletim do Centro de Previsão Climática (CPC), da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), aponta que há 62% de probabilidade do estabelecimento do fenômeno El Niño no trimestre de junho-julho-agosto. A partir do mês de agosto, essa chance ainda aumenta, com probabilidade superior a 80% até o fim de 2026.
Então quais são os riscos do Supertufão no Brasil?
Ainda de acordo com a análise do professor Lucas Oliver, é possível sim relacionar a ocorrência de furacões a formação de um El Niño. Porém, o caso do supertufão Sinlaku não é um risco para o nosso país. Apesar do fenômeno não ser um fato isolado e alterar os eventos climáticos ao redor de todo o globo, não é possível apontar um impacto direto por aqui.
"Quando tem El Niño significa que as águas do Pacífico vão ficar mais quentes e aí tem mais chances de se formarem supertufões e furacões no geral. Então, quanto mais quente, mais possibilidade e mais força deve ter o tufão. Mas, no Brasil, não tem nenhuma consequência. O Oceano Atlântico Sul, que banha o Brasil, não tem temperaturas acima de 29ºC então a gente não tem furacão. Esse supertufão que acontece agora é do outro lado do mundo".
Apesar de afastada a preocupação com possíveis consequências diretas do Sinlaku no Brasil, o professor não descarta que outros fenômenos climáticos atinjam o país pelos próximos dias.
"A gente tem ciclones extratropicais, que são outro tipo de formação. De vez em quando tem, teve semana passada e essa semana ainda deve ter outro. Eles se formam na região Sul do Brasil e traz muita chuva e muito vento por lá. Aqui em Belo Horizonte, esses ciclones geralmente chegam associados a uma frente fria e traz algumas pancadas de chuva", comentou Oliver.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



