Choquei rompe silêncio após prisão de dono por envolvimento em esquema bilionário
Raphael Sousa Oliveira foi preso pela Polícia Federal após ‘Operação Narco Fluxo’, que investiga movimentações até R$ 1,6 bi

A página popular nas redes sociais “Choquei” publicou sua primeira nota após a prisão de Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil, por envolvimento em um esquema de transações ilegais que pode ter movimentado até R$ 1,6 bilhão. Ele está no Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, que faz parte do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O influenciador foi preso em meio aos desdobramentos da “Operação Narco Fluxo”, que resultou também na detenção dos artistas MC Ryan SP e Poze do Rodo. O paulistano, inclusive, é apontado como líder do esquema investigado pela Polícia Federal (PF).
No comunicado, os advogados de defesa de Raphael afirmaram que “a página CHOQUEI nunca manteve qualquer vínculo com organização criminosa, tampouco prestou serviços com finalidade diversa daquela inerente à sua atividade econômica lícita, consistente em publicidade e marketing digital, nos termos da legislação aplicável”.
Sobre o envolvimento com os artistas, a página afirma que “as relações profissionais existentes limitaram-se à prestação de serviços publicitários regularmente contratados, vinculados à divulgação de seus trabalhos artísticos, musicais e de suas atividades como influenciadores digitais, tal como ocorre e sempre ocorreu com diversos outros artistas, influenciadores e marcas atendidos ao longo de sua trajetória no mercado”.
Os advogados apontam que o influenciador nunca foi informado acerca de qualquer intenção secundária com as publicações pagas feitas na página, “com o propósito de influenciar, mitigar e/ou abafar eventuais apurações ou crises perante autoridades policiais, inexistindo, portanto, qualquer ciência ou participação em finalidade diversa da estritamente publicitária”.
Segundo as investigações, os MCs e influenciadores exerciam um papel fundamental no funcionamento da organização criminosa. Eles seriam utilizados pelo crime organizado para lavar altas quantias em dinheiro provenientes de esquemas como o tráfico de drogas. Os shows, a influência nas redes sociais e o poder econômico dos artistas e influenciadores serviram de fachada para dar um ar de legalidade ao dinheiro proveniente do crime.
As apurações apontam que os criminosos usavam a indústria da música e do entretenimento digital como uma das formas de movimentar valores ilícitos, que somaram aproximadamente R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos.
Veja a nota na íntegra
"Diante dos últimos acontecimentos amplamente noticiados pela imprensa nacional, a equipe que compõe a defesa técnica do Sr. Raphael Sousa Oliveira e da Choquei vem a público prestar esclarecimentos, de forma tranquila, transparente e confiante de que a verdade será restabelecida.
A Choquei é um veículo de comunicação digital em atividade há mais de uma década, dedicado à cobertura da cultura pop, entretenimento, música, cinema e ao cotidiano do universo artístico brasileiro. Como todo veículo do gênero, mantém contratos publicitários com marcas, artistas, gravadoras, agências e anunciantes diversos, nos moldes regulares do mercado de mídia digital, com a observância das obrigações correspondentes e atuação pautada pelas normas aplicáveis à atividade publicitária.
À luz dessas considerações, a página CHOQUEI nunca manteve qualquer vínculo com organização criminosa, tampouco prestou serviços com finalidade diversa daquela inerente à sua atividade econômica lícita, consistente em publicidade e marketing digital, nos termos da legislação aplicável.
No que se refere às pessoas mencionadas no contexto investigativo, esclarece-se que as relações profissionais existentes limitaram-se à prestação de serviços publicitários regularmente contratados, vinculados à divulgação de seus trabalhos artísticos, musicais e de suas atividades como influenciadores digitais, tal como ocorre e sempre ocorreu com diversos outros artistas, influenciadores e marcas atendidos ao longo de sua trajetória no mercado.
Ressalta-se, ainda, que o Sr. Raphael jamais teve conhecimento de eventual intenção por parte de quaisquer dos investigados de utilizar as postagens realizadas pela página com o propósito de influenciar, mitigar e/ou abafar eventuais apurações ou crises perante autoridades policiais, inexistindo, portanto, qualquer ciência ou participação em finalidade diversa da estritamente publicitária.
Cabe destacar que o Sr. Raphael construiu, ao longo de mais de uma década, trajetória empresarial sólida e transparente, com patrimônio regularmente declarado, atividade econômica formalizada e histórico íntegro, inexistindo qualquer antecedente criminal ou envolvimento prévio em investigações de natureza semelhante.
Além disso, desde que tomou ciência dessa operação, vem colaborando de forma integral com a Justiça e cumprindo todas as determinações judiciais. Diante desse cenário, a defesa do Sr. Raphael já adotou todas as medidas jurídicas cabíveis e confia que a regularidade de sua atuação profissional será integralmente demonstrada perante as autoridades competentes, no tempo e modo adequados.
Por respeito à regularidade das investigações em curso e ao sigilo que as protege, a defesa não fará, neste momento, comentários sobre pontos específicos da apuração, reservando-se a prestar, no instante processual adequado, os esclarecimentos devidos, com o correspondente suporte probatório, perante os órgãos competentes e sob o crivo do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
Por fim, a defesa reafirma sua plena confiança na Justiça Brasileira, certa de que todos os fatos serão integralmente esclarecidos, com o restabelecimento da verdade e o reconhecimento inequívoco da legalidade da atuação do Sr. Raphael Sousa Oliveira".
(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



