Belo Horizonte
Itatiaia

Produtores da Amazônia peruana apostam no milho roxo como alternativa sustentável

Além da produção agrícola, o milho roxo passou a ser utilizado no desenvolvimento de novos produtos alimentícios

Por
Wikimedia Commons

O cultivo de milho roxo, tradicional das regiões andinas e costeiras do Peru, começa a ganhar espaço também na Amazônia peruana. A fruta nativa da América do Sul vem sendo produzida por pequenos agricultores da região de Ucayali, no leste do país, com apoio técnico do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), que aposta na cultura como alternativa sustentável de geração de renda para famílias rurais, segundo o Meteored Brasil.

Além da produção agrícola, o milho roxo passou a ser utilizado no desenvolvimento de novos produtos alimentícios. Um dos destaques é a “Camuchicha”, bebida criada a partir da mistura da essência do milho roxo com camu-camu, fruta amazônica conhecida pela alta concentração de vitamina C. A novidade tem sido apresentada em feiras regionais e ganhou visibilidade por combinar ingredientes nativos do continente.

Segundo o pesquisador do IIAP Carlos Abanto Rodríguez, o projeto foi desenvolvido em parceria com agricultores locais, levando em consideração as características ambientais e as necessidades das comunidades amazônicas. O objetivo, segundo ele, é fortalecer a economia das famílias produtoras e ampliar as oportunidades de comercialização de produtos orgânicos adaptados à região.

O primeiro cultivo considerado bem-sucedido de milho roxo em áreas de várzea amazônica ocorreu em terrenos que ficam alagados durante o período de cheia dos rios e reaparecem após a vazante. Especialistas apontam que essas áreas possuem alta fertilidade natural devido aos sedimentos deixados pelas enchentes entre dezembro e março.

A experiência pioneira foi conduzida pela agricultora Cleydis Murayari Ihuaraqui, da comunidade 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha. Em 2022, ela chamou a atenção do IIAP ao plantar milho roxo em uma região onde o cultivo ainda era incomum. Após os primeiros resultados positivos, a produtora solicitou sementes da variedade INIA 615 Black Canaan para expandir a plantação.

O instituto forneceu dez quilos de sementes para a agricultora e distribuiu outros 40 quilos entre produtoras da região. A ação integrou um programa de incentivo agrícola que também inclui sementes de feijão, melancia, pimenta e outros alimentos, com foco em ampliar a produtividade e reduzir riscos para os agricultores.

As primeiras plantações ocuparam uma área de cerca de 2,5 mil metros quadrados e receberam acompanhamento técnico do IIAP. Nos meses iniciais, a ausência da coloração característica do milho gerou incertezas entre os produtores. Porém, pouco antes da colheita, as espigas adquiriram o tom roxo esperado.

A colheita rendeu aproximadamente 500 quilos de milho roxo. Desse total, 450 quilos foram comercializados por valores entre quatro e cinco soles peruanos por quilo. O restante foi destinado ao consumo da família e à produção de bebidas semelhantes à tradicional chicha morada peruana.

Com os resultados positivos, o IIAP passou a investir no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado. A “Camuchicha”, composta por 60% de essência de milho roxo e 40% de polpa de camu-camu, foi inicialmente criada em laboratório e depois teve a tecnologia transferida para mais de 150 agricultores da região.

A expectativa dos pesquisadores é ampliar os estudos para identificar quais variedades de milho roxo se adaptam melhor ao clima amazônico e consolidar o cultivo como uma alternativa econômica sustentável para a agricultura familiar local.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.