PF investiga morte de brasileira encontrada em hotel na Croácia
Kathlyn Izabel Becker, de 28 anos, foi ao exterior para trabalhar e custear o tratamento do pai; a certidão de óbito, emitida pela Embaixada do Brasil em Zagreb em 4 de setembro, classificou a causa da morte como desconhecida

A Polícia Federal (PF) investiga a morte da brasileira Kathlyn Izabel Becker, de 28 anos, encontrada morta em um quarto de hotel na cidade de Zagreb, na Croácia, em agosto. Após uma série de circunstâncias inexplicadas pelas autoridades envolvidas em relação à viagem e à morte da jovem, a família solicitou a intervenção da PF.
A mãe de Kathlyn, Geruza Becker, moradora de Ji-Paraná, no interior de Rondônia, recebeu a notícia do falecimento por meio da Embaixada do Brasil na Croácia, após passar dias sem conseguir contato com a filha.
Linha do tempo
"No dia 26, começamos o alerta, porque, desde domingo (23), a Kathlyn não estava mais online. Aí bateu o desespero. Na quarta-feira (26), a gente já estava totalmente desesperado", relata Geruza Becker.
Ainda segundo a mãe da vítima, o objeto da viagem ao exterior seria para custear o tratamento do pai, que sofre de uma infecção nos ossos chamada osteomielite. Kathlyn teria então viajado inicialmente para a Sérvia, sob a promessa de emprego. No entanto, ao chegar ao país e descobrir que a vaga já havia sido ocupada, foi levada à Croácia por pessoas ainda não identificadas.
No dia 27 de agosto, a família entrou em contato com a embaixada croata, solicitando informações sobre o paradeiro de Kathlyn. Pouco tempo depois, receberam uma ligação do embaixador informando que a jovem havia sido encontrada morta dentro de seu quarto de hotel no dia 22 de agosto.
A certidão de óbito, emitida pela Embaixada do Brasil em Zagreb em 4 de setembro, classificou a causa da morte como desconhecida.
Assistência Jurídica
O advogado da família, Joaci Ferreira da Silva, apresentou um requerimento oficial à embaixada procurando por esclarecimentos. O setor consular do país informou que o caso foi formalmente registrado pela Polícia de Zagreb, que retirou os pertences pessoais da vítima para ajudar nas investigações.
Joaci Ferreira também contactou o Médico Legal (IML) de Zagreb, pedindo a cópia integral do laudo de necropsia e dos exames laboratoriais. O IML respondeu que o prazo para os resultados ficarem prontos varia entre três e quatro meses, e que a família precisará solicitar a liberação dos documentos diretamente ao Ministério Público em Zagreb.
Chegada ao Brasil
A família realizou uma campanha de arrecadação para pagar o translado do corpo, que chegou a Porto Velho (RO) no dia 13 de setembro, onde passou por um novo exame necroscópico no IML, solicitado pela PF.
O Departamento de Perícia Oficial da Polícia Civil confirmou ao g1 que o novo exame também apontou causa “indeterminada”. O órgão explicou que, após 20 dias desde a morte e o fato de que o corpo já foi submetido a uma necropsia, dificultou a análise médica.
A perícia informou também que aguarda novos exames toxicológicos, possibilitados por materiais biológicos enviados à Polícia Técnico-Científica (Politec). Os resultados são aguardados pela PF.
Ajuda internacional
Sem condições financeiras, a família busca representação legal na Croácia para acessar os laudos e o inquérito policial. O advogado da família acionou a Defensoria Pública da União (DPU) solicitando assistência jurídica internacional, visto que a Embaixada do Brasil não tem poder de atuação criminal. A defesa precisou documentar formalmente à Defensoria que atua de forma voluntária e que sua jurisdição se limita ao território brasileiro.
A reportagem da Itatiaia solicitou nota à Polícia Federal e à Defensoria Pública da União e aguarda retorno.
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



