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Medo da violência faz 8 em cada 10 brasileiros evitarem sair de casa à noite

Pesquisa aponta que insegurança mudou a rotina da população; mulheres são as que mais relatam restrições e adotam medidas de autoproteção

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Medo da violência faz 8 em cada 10 brasileiros evitarem sair de casa à noite
Imagem ilustrativa • Canva/ Reprodução

O medo da violência tem alterado a rotina dos brasileiros. Sair de casa à noite para passear, encontrar amigos ou simplesmente aproveitar momentos de lazer deixou de fazer parte do dia a dia de grande parte da população. Uma pesquisa do Instituto Update, em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, revela que oito em cada dez brasileiros evitam sair de casa no período noturno por receio de serem vítimas da criminalidade. Nas ruas, o sentimento de insegurança é evidente. A dona de casa Maria de Lourdes Cruz dos Santos afirma que evita sair até mesmo durante o dia. "Eu já não gosto de sair à noite. Até de dia está violento, principalmente à noite", relata.

O vendedor Ricardo Henrique Arvelos conta que abandonou um hábito comum por causa do aumento da violência. "Eu saía muito à noite. Agora não saio mais. Está muito perigoso", diz. A auxiliar de limpeza Josiane Tavares também mudou a rotina. "A violência está muito grande. Não está dando para sair de casa mais", afirma.

Além de evitar programas noturnos, a pesquisa mostra que muitos brasileiros deixaram de frequentar determinados locais, evitam usar o celular em vias públicas e até optam por não utilizar o transporte coletivo devido ao medo da violência.

O levantamento também evidencia que o impacto é maior entre as mulheres. Segundo o estudo, 92% das entrevistadas afirmam se sentir mais expostas à violência. Muitas relatam viver em estado permanente de alerta, mudando trajetos, evitando sair sozinhas à noite e compartilhando a localização em tempo real com familiares e amigos como medida de segurança.

Para o especialista em segurança pública, Gedir Rocha, coronel reformado da Polícia Militar de Minas Gerais, é preciso evitar que o medo faça a população abrir mão do direito de ocupar os espaços públicos.

Gedir Rocha, coronel reformado da Polícia Militar • Fabiano Frade/ Itatiaia
Gedir Rocha, coronel reformado da Polícia Militar • Fabiano Frade/ Itatiaia

"O que deixa a gente triste é quando a sociedade se acomoda com essa situação e esquece de lutar por um direito fundamental e constitucional, que é o direito de ir e vir. As pessoas ficam cada vez mais presas dentro de casa, cercadas por muros, cercas elétricas e câmeras de monitoramento, enquanto a criminalidade ocupa as ruas. Precisamos inverter essa lógica. A rua pertence à população", afirmou Rocha.

O especialista orienta que quem precisar sair à noite faça um planejamento prévio, definindo o trajeto, escolhendo locais bem iluminados e movimentados, verificando onde irá estacionar ou qual meio de transporte utilizar. Outra recomendação é compartilhar a localização e o roteiro com pessoas de confiança.

Gedir Rocha também defende que a participação da comunidade é essencial para aumentar a sensação de segurança. "Praças, ruas e espaços públicos precisam ser ocupados pela população. Uma praça abandonada favorece a criminalidade. Quando os moradores cuidam dos espaços, cobram iluminação, limpeza e melhorias do poder público, ajudam a tornar o bairro mais seguro. Uma cidade viva e bem iluminada é uma cidade menos vulnerável à violência", conclui.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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