Mais de 300 adolescentes dão à luz por dia no Brasil

Estudo aponta mais de 90 mil partos de jovens na rede pública em menos de um ano

Gravidez na adolescência continua preocupar autoridades

Mais de 300 adolescentes, entre 10 e 17 anos, dão à luz todos os dias em hospitais da rede pública de saúde no Brasil. O número representa mais de 90 mil partos de jovens e revela um impacto direto no orçamento das famílias e no futuro dessas meninas, que, em muitos casos, não concluem o ensino médio.

Os dados são de um estudo do Ministério da Saúde, realizado entre janeiro e outubro do ano passado. Especialistas alertam que a gravidez precoce não é um fenômeno isolado e pode se repetir entre gerações.

É o caso da auxiliar de serviços gerais Lúcia Oliveira Morais, de 51 anos, que está prestes a se tornar bisavó. Lúcia, a filha e a neta engravidaram ainda na adolescência.

“E as minhas netas eu criei praticamente quase todas dentro da minha casa.”

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Ao ser questionada sobre quantos netos tem, ela responde:

“Vou ter oito netos e uma bisneta. No começo eu assustei. Eu falei com ela: ‘Eu não queria ser bisavó agora’. Não foi falta de conselho, né? Mas aconteceu. Eu não posso virar as costas para ela.”

Lúcia conta que, apesar das dificuldades, tenta encarar o momento com gratidão:

“Eu fico feliz. Escutei foi ontem alguém me comentar: ‘Lúcia, isso é um privilégio, você vai ser bisavó, por mais que seja difícil’. Nem muitos vivem isso, entendeu? Criei meus filhos, ajudei a criar meus netos e agora veio a bisneta, que é a Aurora. Então é só agradecer a Deus mesmo e que venha com saúde.”

Em Belo Horizonte, a Maternidade Odete Valadares é referência no atendimento a adolescentes grávidas, com projetos voltados ao cuidado da gestante e do bebê. Ainda assim, mesmo com acompanhamento médico, a gravidez na adolescência pode trazer riscos à saúde da mãe e da criança.

Segundo a médica e coordenadora da ginecologia e obstetrícia da unidade, Lorena Carvalho Viana, as evidências científicas apontam para um aumento de complicações nesse grupo.

“As evidências científicas mostram que a gravidez na adolescência está associada a maior risco de certas complicações. As principais são complicações hemorrágicas, anemia grave no pós-parto, restrição de crescimento fetal, o que pode gerar um bebê que vai precisar de maiores taxas de internação no CTI, além de recém-nascidos com peso abaixo do ideal.”

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A médica também alerta para o risco de pré-eclâmpsia:

“Existe uma evidência recente de que aumenta a chance da paciente ter esse diagnóstico quando ela é menor de 18 anos.”

Na maternidade, as adolescentes são encaminhadas para o pré-natal de alto risco e recebem atendimento multidisciplinar.

“Essas pacientes são atendidas de forma humanizada, com avaliação do contexto familiar, escolar e psicológico. Contamos com equipe de nutrição, serviço social e psicologia, o que gera maior adesão ao pré-natal. Elas são acompanhadas durante as 40 semanas de gestação, com partos e desfechos mais favoráveis, sem essas complicações.”

Formada, há 13 anos, em jornalismo, pela Faculdade Pitágoras BH. Pós-graduada em jornalismo digital e produção multimídia.

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