Mais de 100 cidades do Brasil já usam tecnologia para monitorar o trânsito em tempo real
Sistema integra dados sobre obras, interdições e ocorrências para agilizar decisões e orientar motoristas; em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, solução utiliza o Waze para informar sobre mudanças nas vias
Obras, acidentes, buracos e interdições podem provocar congestionamentos e aumentar o tempo de deslocamento nas cidades. Para agilizar a resposta a esses problemas, mais de 100 municípios brasileiros e cidades do exterior já utilizam tecnologias de monitoramento e integração de dados para melhorar a gestão do trânsito.
Em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, uma central de monitoramento reúne informações sobre o que acontece nas ruas e avenidas para ajudar as equipes responsáveis pela mobilidade a identificar ocorrências, organizar intervenções e informar os motoristas sobre mudanças nas vias.
A solução é desenvolvida pela 4Smart Cloud, empresa brasileira especializada em governança de dados e inteligência aplicada à gestão pública. Segundo Naya Martins, diretora de receita da companhia, a proposta é reunir informações de diferentes fontes em uma única plataforma para tornar a tomada de decisões mais rápida e eficiente.
“A verdade é que a 4Smart é uma empresa que nasceu com o objetivo de pegar todos os dados que são relevantes para a cidade, todos os dados que acontecem em diferentes lugares ali do município, e colocar eles em uma única camada de decisão, uma camada de inteligência”, afirmou Naya, em entrevista ao Café com Notícia, da Itatiaia.
Integração com o Waze alerta motoristas sobre interdições
Um dos recursos utilizados em Divinópolis é a integração com o Waze. A ferramenta permite que informações sobre eventos, obras e interdições sejam enviadas pela prefeitura diretamente ao aplicativo, alertando os usuários sobre mudanças no trânsito e possibilitando a escolha de rotas alternativas.
O sistema também recebe informações reportadas pelos próprios motoristas. Esses dados podem chegar à central de monitoramento e contribuir para que as equipes identifiquem problemas e adotem as medidas necessárias.
“O aplicativo para o usuário é o mesmo em qualquer lugar. O que muda é que, dentro de Divinópolis, a gente tem toda a interação que o usuário faz com o Waze mandando informação para a central e todas as decisões da central replicando a informação no Waze”, explicou a executiva.
Na prática, a integração permite que os motoristas sejam informados sobre alterações nas vias sem precisar instalar outro aplicativo. A prefeitura pode, por exemplo, comunicar o fechamento de uma rua para a realização de um evento. Naya também chama a atenção para os impactos de problemas aparentemente pequenos, como buracos na pista, que podem provocar congestionamentos e aumentar o tempo de viagem.
“Às vezes, um buraco que aconteceu ali, porque um caminhão passou mais pesado, pode causar um trânsito e aumentar 15, 20 minutos no seu trajeto”, alertou.
Segundo a executiva, a central permite integrar as informações e agilizar a atuação das equipes municipais. “Na prática, a gente trouxe mais gestão e mais velocidade para a resolução dos problemas em Divinópolis”, afirmou.
Tecnologia pode ser adaptada a cidades de diferentes portes
A implantação de sistemas inteligentes não está restrita às grandes capitais. De acordo com Naya Martins, os projetos são dimensionados conforme as necessidades de cada município, considerando fatores como o volume de veículos, a infraestrutura viária e as tecnologias já disponíveis.
“Eu gosto muito de responder essa pergunta dizendo que nós temos diferentes tamanhos de cidade e, ao mesmo tempo, diferentes tamanhos de projeto”, explicou.
Municípios com grande fluxo de veículos, vários cruzamentos semaforizados e diferentes equipamentos de fiscalização podem exigir estruturas mais complexas. Já cidades menores podem adotar projetos mais enxutos, voltados para necessidades específicas.
A executiva citou o exemplo de localidades que recebem novas indústrias e passam a enfrentar um aumento significativo na circulação de veículos.
“Uma cidade pequena, que muitas vezes sempre foi considerada uma cidade-dormitório, de repente recebe uma pequena indústria e aquela indústria já causa um trânsito gigante. Ela tem ali três ou quatro cruzamentos, um fluxo menor, um projeto relativamente menor, e isso também impacta no investimento”, afirmou.
Entre as cidades mencionadas pela executiva que utilizam soluções da empresa estão Nova York, São Caetano do Sul, Manaus, Divinópolis, Palhoça, Indaiatuba e Paulínia.
Para Naya, o desafio das administrações públicas não é apenas produzir informações, mas transformar os dados disponíveis em decisões que melhorem os serviços oferecidos à população.
“Todas as cidades estão gerando muitos dados em tecnologias diferentes. Agora, o que fazer com esses dados? Como tomar decisões com esses dados? Como melhorar a vida do cidadão?”, questionou.
Inteligência artificial pode agilizar atendimento a emergências
Além de monitorar o trânsito, a inteligência artificial pode ajudar a identificar ocorrências e acelerar o acionamento de agentes de trânsito, ambulâncias e forças de segurança, conforme os recursos disponíveis em cada sistema.
Segundo Naya Martins, o processamento integrado dos dados pode dar mais rapidez às decisões e facilitar a mobilização das equipes em situações de emergência. Em acidentes graves, por exemplo, o tempo de resposta pode ser decisivo para o atendimento às vítimas.
“A inteligência artificial vem trazer para a gente algo muito importante, que é a velocidade”, destacou.
A executiva explicou que sistemas treinados adequadamente podem automatizar etapas da tomada de decisão e do encaminhamento de ocorrências, contribuindo para agilizar a resposta das equipes.
“Todos esses dados que são gerados precisam ser transformados em ações inteligentes dentro da cidade, para que isso gere impacto e consiga salvar mais vidas e melhorar a vida das pessoas”, concluiu.
A tecnologia também pode contribuir para melhorar a mobilidade de pedestres e ciclistas, além de facilitar os deslocamentos de quem precisa chegar ao trabalho, à escola ou aos serviços de saúde.
Assista ao vídeo:
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



