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João de Deus, preso após abusar mais de 100 mulheres, tem pena reduzida pela metade

Líder religioso deve cumprir 214 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão, além de um ano de detenção; condenação anterior somava quase 500 anos

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Médium João de Deus foi condenado, no total, a 489 anos e 4 meses de reclusão
Médium João de Deus foi condenado, no total, a 489 anos e 4 meses de reclusão • Divulgação

A Justiça de Goiás reduziu significativamente o total de penas impostas ao médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus. Condenado inicialmente a quase 500 anos de prisão por crimes sexuais, ele passou a ter uma pena de aproximadamente 200 anos após reavaliações judiciais em segunda instância. Os crimes cometidos por João de Deus fazem parte de um dos maiores escândalos de abuso sexual do Brasil.

As condenações envolvem crimes como estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude, cometidos durante atendimentos espirituais na cidade de Abadiânia, no interior de Goiás. Os casos vieram à tona a partir de 2018, quando centenas de mulheres denunciaram abusos.

A redução das penas ocorreu após a análise de recursos apresentados pela defesa do líder religioso, que resultaram na revisão de parte das sentenças. Com isso, o total, que chegava a cerca de 489 anos de prisão em primeira instância, foi readequado para 214 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção.

As condenações contra João de Deus dizem respeito a diversos processos distintos. Ao todo, 18 ações penais foram julgadas, envolvendo dezenas de vítimas.

Crimes e vítimas

De acordo com decisões judiciais, João de Deus foi condenado por crimes cometidos entre 2010 e 2017, período em que realizava atendimentos espirituais em sua casa religiosa. As investigações apontam abusos contra cerca de 67 mulheres, muitas delas em situação de vulnerabilidade. Além dessas, outras 121 vítimas tiveram os casos atingidos pela prescrição ou decadência do direito de representação.

O Tribunal de Justiça de Goiás também determinou o pagamento de indenizações por danos morais, com valores que podem chegar a R$ 100 mil por caso.

Preso desde 2018, o médium cumpre atualmente prisão domiciliar por decisão judicial. Mesmo com a redução das penas, os processos ainda não transitaram em julgado, o que significa que continuam sujeitos a novos recursos em instâncias superiores.

Embora a soma das condenações ultrapasse 200 anos, a legislação brasileira estabelece um limite máximo para o cumprimento de pena privativa de liberdade, atualmente fixado em 40 anos. Esse teto não altera o total das condenações, mas restringe o tempo efetivo de prisão.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.