Fluxo Oculto e PCC: fintechs e desvio de nafta são principais alvos de ação
Esquema investigado pelo MP de São Paulo envolve adulteração de combustíveis, fintechs e lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada; operação de hoje é desdobramento da Carbono Oculto

Órgãos de investigação e controle realizaram, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, que investiga um esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis e com envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital).
A operação é fruto de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, a ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e a Procuradoria-Geral do Estado. O cumprimento dos mandados conta ainda com participação da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Segundo o Gaeco, as investigações identificaram a atuação de organizações criminosas que utilizavam fintechs, fundos de investimentos e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos e abastecer um mercado clandestino de combustíveis adulterados.
Um dos principais focos da nova etapa da investigação é o desvio de nafta petroquímica, produto usado na indústria química e petroquímica, mas que estaria sendo direcionado ilegalmente para postos e distribuidoras de combustíveis.
O que é a nafta
A nafta é um derivado do petróleo utilizado principalmente como matéria-prima da indústria petroquímica para produção de plásticos, solventes, combustíveis e produtos químicos.
Ela também pode ser usada como solvente industrial. Por ter custo inferior ao da gasolina, o produto costuma ser alvo de esquemas ilegais de adulteração de combustíveis.
De acordo com a investigação, grupos criminosos desviavam cargas de nafta petroquímica e simulavam operações comerciais falsas para ocultar o verdadeiro destino do produto.
Como funciona o esquema investigado
De acordo com a Receita Federal e o Gaeco, o grupo investigado utilizava empresas de fachada para simular compras legais de nafta junto a companhias do setor químico. Oficialmente, o produto teria destinação industrial. Na prática, porém, a substância era desviada para terminais de armazenamento de combustíveis na Grande São Paulo.
Segundo as investigações, a nafta era então adicionada irregularmente a tanques de combustíveis automotivos, adulterando a gasolina antes da distribuição para postos revendedores ligados ao esquema. As autoridades afirmam que o esquema gerava lucro em diferentes frentes. Além da venda do combustível adulterado, a organização criminosa se aproveitaria de diferenças tributárias entre a nafta petroquímica e a gasolina para reduzir custos e ampliar ganhos ilícitos.
A Receita Federal estima que apenas esse núcleo investigado tenha causado prejuízo de aproximadamente R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.
As investigações apontam ainda que os envolvidos criavam empresas em diversos estados do país para dificultar o rastreamento das operações. Segundo o Ministério Público, os investigados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para registrar pessoas jurídicas que apareciam formalmente como compradoras da nafta. O objetivo seria ocultar os verdadeiros operadores do esquema e dar aparência de legalidade às operações comerciais simuladas.
Além da adulteração de combustíveis, as autoridades identificaram um sistema financeiro paralelo usado para movimentar os recursos obtidos com as fraudes. Segundo a Receita Federal, seis fintechs investigadas atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa. Juntas, elas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
As apurações também identificaram o uso de fundos de investimento para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos beneficiários finais das operações financeiras. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, segundo os investigadores.
Nova fase da Carbono Oculto
Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão com apoio de órgãos estaduais e federais, além dos Gaecos do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná.
Segundo o Ministério Público, a nova fase busca aprofundar a identificação das estruturas financeiras usadas pelo crime organizado no mercado de combustíveis e ampliar o rastreamento dos mecanismos de lavagem de dinheiro utilizados pelo grupo.
Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.



