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Estudo inédito revela como a genética molda o avanço da depressão em jovens brasileiros

Pesquisa liderada por USP, Unifesp e UFRGS mostra que alta carga genética acelera sintomas e eleva episódios de autolesão em adolescentes; teste foi adaptado para a população miscigenada do país

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Estudo inédito revela como a genética molda o avanço da depressão em jovens brasileiros
Estudo inédito revela como a genética molda o avanço da depressão em jovens brasileiros • Freepik/Magnific

Crianças e adolescentes com maior predisposição genética ao Transtorno Depressivo Maior não apenas enfrentam sintomas iniciais mais severos, mas também experimentam um agravamento rápido desses sinais ao longo do crescimento. Além disso, entre os diagnosticados, o risco genético elevado está associado a uma incidência maior de autolesão não suicida.

As conclusões fazem parte de um estudo conduzido por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado no periódico científico internacional Biological Psychiatry.

Um dos pontos centrais do trabalho foi preencher uma lacuna histórica na genética psiquiátrica: a grande maioria das ferramentas científicas mundiais foi calibrada quase que exclusivamente para populações de ascendência europeia.

Para avaliar a eficácia dessas métricas na realidade brasileira, os pesquisadores analisaram o "risco de poligênico", combinação de alterações genéticas que aumentam o risco de depressão, em mais de duas mil crianças e jovens, de 6 a 23 anos. Os voluntários integram a Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (BHRC), projeto que monitora o neurodesenvolvimento de participantes há mais de 15 anos.

Entenda o transtorno

A depressão é uma doença complexa e multifatorial: fatores ambientais (como vulnerabilidade social, traumas, violência e estresse familiar) desempenham papel determinante. Em termos populacionais, calcula-se que cerca de 37% das variações da depressão estejam ligadas à hereditariedade.

No entanto, a doença não decorre de um gene isolado. O estudo mediu o chamado escore poligênico, uma soma ponderada de múltiplas alterações nas "letras" do DNA (pares de bases), em que cada variante confere um peso específico ao risco total.

Apesar do avanço, os pesquisadores alertam que o uso desses escores para diagnósticos de rotina em consultórios ou laboratórios ainda é uma perspectiva distante.

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Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.

 

 

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