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Copa do Mundo: trabalhador pode ter folga nos dias de jogos do Brasil? Entenda

Especialista explica o que diz a lei brasileira sobre folgas, salários e compensações durante atuação da Seleção Brasileira

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Tomaz Silva | Agência Brasil

A proximidade da Copa do Mundo reacende uma dúvida comum entre milhões de brasileiros: afinal, o trabalhador tem direito à folga nos dias de jogos da Seleção Brasileira? A questão costuma ganhar força principalmente quando as partidas acontecem em horário comercial, impactando diretamente empresas, escolas e repartições públicas em todo o país. Para tirar essa dúvida, a Itatiaia conversou com dois advogados que explicaram o entendimento da legislação trabalhista brasileira sobre o tema. 

De acordo com os especialistas, os advogados trabalhistas Fábio Moreira e Kleber Carvalho, apesar da tradição de empresas flexibilizarem expedientes durante os jogos do Brasil, a lei não prevê automaticamente folga obrigatória para trabalhadores em dias de partidas da Seleção. Na prática, a liberação vai depender de decisão do empregador, acordos internos ou convenções coletivas.

Os advogados apontam que, em muitos casos, empresas adotam medidas como redução do expediente, compensação de horas ou liberação parcial dos funcionários para acompanhar os jogos. Em órgãos públicos, também é comum a publicação de regras específicas sobre funcionamento durante a competição.

O que diz a lei sobre o tema?

Segundo especialistas em direito trabalhista, os jogos da Seleção Brasileira não são considerados feriados nacionais. Isso significa que empresas privadas não têm obrigação legal de dispensar funcionários durante as partidas.

"Mesmo diante do grande interesse dos trabalhadores e das trabalhadoras, as empresas não são obrigadas a liberar os trabalhadores durante os Jogos da Seleção" ressaltou Fábio Moreira. "Tem que ficar muito claro [...] Esses dias de jogos não são considerados feriados oficiais, nem ponto facultativo pela legislação aplicável", completou Kleber.

De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o empregador pode manter o expediente normalmente, mesmo durante jogos do Brasil em Copas do Mundo. Caso o trabalhador falte sem autorização, a ausência poderá ser considerada injustificada, permitindo desconto salarial referente ao período não trabalhado.

"O empregado que falta ao trabalho para assistir um jogo da Copa do Mundo pode sim sofrer desconto salarial. E esse desconto pode ter diversas repercussões, por exemplo, no descanso semanal remunerado e também em outros benefícios contratuais recebidos pelo empregado: cesta básica, ticket de alimentação, entre outros, porque essa falta será considerada como uma falta injustificada ao trabalho, uma falta sem motivo justificável na legislação", explicou Fábio.

Por outro lado, empresas podem optar por flexibilizar o funcionamento durante os jogos. Entre as alternativas mais comuns estão banco de horas, compensação posterior da jornada, home office parcial ou antecipação do expediente. "Caso a empresa decida liberar o funcionário esse tempo não trabalhado não pode ser objeto de desconto. Ou seja, se a empresa resolveu liberar, ela não pode descontar. Isso tem que ser combinado previamente e se a empresa liberou ela não pode descontar o dia" reforçou Kleber.

Os especialistas também destacam que regras diferentes podem valer para servidores públicos. Em edições anteriores da Copa do Mundo, governos estaduais e federal publicaram normas específicas alterando horários de funcionamento de repartições públicas em dias de jogos da Seleção. As folgas, nesses casos, acontecem de maneira distinta aquelas dadas pelo setor privado. 

"Tem diferença entre quem trabalha na iniciativa privada e no setor público. Por quê? A iniciativa privada é regida pela CLT, e, nessa legislação, como já dito, não há obrigatoriedade de liberação nem folga automática. Já no setor público é comum o governo ou instituição decretar ponto facultativo, ou seja, os órgãos não vão estar funcionando. Eles costumam fazer também uma exigência para depois compensar essas horas não trabalhadas, tem sido assim nos últimos anos", explicou Kleber.

Além disso, áreas consideradas essenciais, como hospitais, segurança pública, transporte e parte do comércio, normalmente mantêm funcionamento integral, independentemente do horário das partidas.

"Nos setores do comércio, da indústria e dos serviços essenciais, a demanda pela dispensa dos trabalhadores para assistir aos Jogos da Copa do Mundo é bastante comum, porque nos horários de realização dos Jogos, normalmente, esses trabalhadores estão exercendo as suas atividades normais. Portanto, as empresas trabalham com algumas escalas diferenciadas de trabalho, ou adotam regimes de compensação de jornada a partir das normas existentes na legislação e nos acordos coletivos que são negociados com o sindicato, para que as atividades não sejam prejudicadas, mas, ao mesmo tempo, para que os trabalhadores possam acompanhar os jogos que, sem dúvida alguma, repercutem socialmente de uma maneira muito importante em todo o país", disse Fábio Moreira.

Confira a agenda de jogos do Brasil na Copa do Mundo 2026:

A competição terá sua abertura oficial no dia 11 de junho de 2026. As partidas serão distribuídas em três países diferentes: Estados Unidos, Canadá e México. A Seleção Brasileira já tem definidos os compromissos da fase de grupos da Copa do Mundo. Confira datas e horários das partidas:

  • Brasil x Marrocos : 13 de junho (sábado), às 19h – MetLife Stadium (Nova York/Nova Jersey)
  • Brasil x Haiti: 19 de junho (sexta-feira), às 21h30 – Lincoln Financial Field (Filadélfia)
  • Escócia x Brasil: 24 de junho (quarta-feira), às 19h – Hard Rock Stadium (Miami)

Caso avance no torneio, o Brasil ainda disputará jogos nas oitavas de final, quartas, semifinal e eventual decisão do título. Os horários das próximas partidas dependerão da posição da equipe na fase de grupos e da tabela oficial da competição, que só serão disponibilizadas com o avanço da Copa.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.