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Ciclone-bomba no Brasil: fenômeno ameaça seis estados e já causa estragos

Fenômeno causou ventos de mais de 120 km/h no Rio Grande do Sul, suspensão de aulas no Rio e em SP e interrompeu serviço de balsas

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Ciclone-bomba no Brasil fenômeno ameaça seis estados e já causa estragos
Ciclone-bomba no Brasil fenômeno ameaça seis estados e já causa estragos • Foto: Reprodução | Nasa

A formação do ciclone-bomba colocou seis estados brasileiros em alerta para temporais, ventos intensos e queda acentuada das temperaturas, entre esta sexta-feira (7) e o sábado (8). O fenômeno já provocou estragos no Rio Grande do Sul, onde um tornado atingiu a cidade de Pedro Osório, onde uma pessoa morreu, além de rajadas de vento superiores a 130 km/h em algumas regiões e de 120 km/h no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

Os ventos derrubaram árvores, destelharam imóveis, interromperam o fornecimento de energia elétrica e afetaram temporariamente a circulação dos trens entre a capital gaúcha e cidades da região metropolitana. Também houve registro de granizo em municípios do interior do estado.

Em entrevista ao CNN Novo Dia, o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, explicou que, embora o centro do ciclone já esteja sobre o Oceano Atlântico, seus efeitos continuam sendo sentidos em boa parte do país.

Por que o ciclone-bomba provoca ventos tão fortes?

Segundo o especialista, a intensidade dos ventos está diretamente relacionada à queda da pressão atmosférica no centro do sistema.

"Quanto menor o valor de pressão, maior a circulação de ventos", explicou. De acordo com Côrtes, nas áreas mais próximas ao núcleo do ciclone, as rajadas podem ultrapassar 140 km/h. Mesmo após o deslocamento do sistema para o oceano, estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste continuam sob influência do fenômeno.

Além dos ventos intensos, a passagem do ciclone abre caminho para uma massa de ar frio, que deve provocar queda nas temperaturas e levar chuva a estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

O especialista também alerta que ainda existe possibilidade de novos episódios de granizo e até tornados.

"Ele fica drenando o ar continental com uma potência muito grande, daí essa influência em vários estados", afirmou.

São Paulo e Rio reforçam monitoramento

Em São Paulo, o governo estadual montou um gabinete de crise para acompanhar a evolução das condições meteorológicas. O contraste entre o calor registrado nos últimos dias e o avanço da frente fria pode favorecer tempestades mais intensas, especialmente no litoral, onde as rajadas podem superar 100 km/h.

No Rio de Janeiro, a Defesa Civil enviou alertas para celulares informando sobre ventos fortes e orientando a população a evitar deslocamentos. Como medida preventiva, as aulas da rede municipal foram suspensas diante da previsão de rajadas que também podem ultrapassar 100 km/h.

Tornados podem se tornar mais frequentes

Durante a entrevista, Pedro Côrtes chamou atenção para o aumento da frequência de tornados no Sul do Brasil. Segundo ele, a região sempre apresentou condições favoráveis para esse tipo de fenômeno, mas os registros eram mais raros e menos intensos.

"Infelizmente, sim", respondeu ao ser questionado sobre a maior recorrência dos tornados.

Na avaliação do especialista, as mudanças climáticas têm intensificado esses eventos. O aquecimento dos oceanos aumenta a energia disponível na atmosfera e favorece tempestades mais severas, principalmente quando massas de ar quente encontram frentes frias.

"O Sul do país está numa espécie de rota de tornados no sul do continente", afirmou.

Para o analista, o Brasil precisa investir em sistemas específicos de alerta para tornados, semelhantes aos existentes nos Estados Unidos, permitindo que a população tenha tempo para buscar locais seguros.

"A gente não consegue negociar com o clima, mas pode se preparar com antecedência e, diante de um aviso de tornado, buscar condições mais seguras, pelo menos para proteger a vida", concluiu.

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