Ciclone-bomba provoca morte e atinge 118 cidades no Rio Grande do Sul
Fortes ventos provocaram destelhamentos, deixaram feridos e causaram estragos em dezenas de municípios gaúchos

Uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas após a passagem de um ciclone-bomba pelo Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (6). Segundo a Defesa Civil, 118 municípios registraram danos provocados pelos fortes ventos.
A morte foi registrada em Montenegro, no interior gaúcho, após a queda de uma árvore. A vítima era um motociclista que trafegava pela rodovia RS-124.
Os ventos intensos foram provocados por um ciclone-bomba, fenômeno que havia motivado o alerta vermelho para temporais no estado nos dias anteriores. Também em Montenegro, três pessoas ficaram feridas após o destelhamento de imóveis. Em Nova Hamburgo, foram registrados pelo menos 120 destelhamentos.
Eventos climáticos com ventos intensos também têm sido registrados em outras regiões do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, uma ventania também deixou mortos e provocou um cenário de destruição.
De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, durante uma coletiva nesta sexta-feira (7), alertas foram emitidos para as regiões mais impactadas, incluindo Porto Alegre e região metropolitana. Sobre o tornado que atingiu Pedro Osório, o órgão informou que ele pode não ter sido um caso isolado e destacou que o estado é considerado um "corredor de tornados".
Como o El Niño influencia o clima?
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica os padrões de circulação atmosférica e pode influenciar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos costumam ser mais sentidos no Sul, onde o fenômeno pode aumentar a ocorrência de chuvas acima da média. Apesar disso, ele não cria ciclones-bomba, mas pode contribuir para um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de sistemas de tempo severo.
Como se forma um ciclone-bomba?
Segundo o professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, um ciclone é um sistema meteorológico de grande escala, formado por uma circulação organizada de ventos ao redor de uma área de baixa pressão atmosférica.
Os ciclones que atingem o Brasil são, em geral, extratropicais e se formam em regiões onde há grande contraste entre massas de ar quente e frio. Essa diferença de temperatura funciona como o principal combustível para o desenvolvimento do sistema.
Quando uma massa de ar frio avança sobre uma região de ar mais quente, ocorre uma intensificação da circulação atmosférica e uma queda rápida da pressão. É justamente a velocidade dessa redução da pressão que diferencia um ciclone extratropical comum de um ciclone-bomba.
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