Brasil tem queda de 27,7% nos assassinatos de mulheres, aponta levantamento
Conforme mostram os dados da pesquisa, a taxa nacional, em 2024, era de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres

O número de mulheres assassinadas no Brasil caiu cerca de 27,7% desde 2014, como mostra um levantamento divulgado nesta terça-feira (26) pelo Atlas da Violência. A queda, no entanto, não representa uma diminuição significativa dos casos, já que os dados de 2024, uma década depois, ainda indicam que 3.642 mulheres foram mortas no país.
A distribuição dos homicídios é desigual entre os estados. Conforme mostram os dados da pesquisa, a taxa nacional, em 2024, era de 3,4 mortes por 100 mil mulheres. Em estados como Rondônia, Ceará, Pernambuco, Bahia e Roraima, porém, os índices são superiores à média do país.
Confira:
- Roraima: 12,6 mortes de mulheres registradas por 100 mil habitantes;
- Rondônia: 5,7 mortes de mulheres registradas por 100 mil habitantes;
- Ceará: 5,7 mortes de mulheres registradas por 100 mil habitantes;
- Pernambuco: 5,4 mortes de mulheres registradas por 100 mil habitantes;
- Bahia: 5,4 mortes de mulheres registradas por 100 mil habitantes.
Mulheres negras são mais da metade das vítimas
A pesquisa mostrou que mulheres pretas e pardas são as mais vulneráveis.
Segundo os dados divulgados, elas representam 67,5% do total de vítimas em 2024, com uma taxa de mortalidade 66,7% superior à de mulheres não negras.
Feminicídio e homicídio de mulheres
A Lei nº 13.104, de 2015, tipificou o crime de feminicídio como o assassinato motivado por razões de gênero.
O relatório utiliza o local do crime como um indicador fundamental para compreender a violência de gênero, diante da impossibilidade de o sistema de saúde classificar diretamente o crime.
A ocorrência do assassinato de uma mulher dentro de casa é utilizada como ferramenta indireta para estimar a magnitude do feminicídio. O levantamento destaca que há forte correlação entre a evolução desses casos registrados pelo sistema de saúde e os feminicídios registrados pelas polícias, especialmente a partir de 2016.
Diferentemente das mortes ocorridas fora das residências, os homicídios de mulheres dentro de suas casas apresentaram estabilidade histórica, o que indica que a violência letal doméstica não recuou na mesma intensidade que a violência em espaços públicos.
Violência não letal e reincidência
Em 2024, o relatório aponta que 293.842 casos de violência não letal contra mulheres foram atendidos pelo sistema de saúde.
Desse total, 64% das notificações ocorreram em contexto doméstico — incluindo violência física, psicológica e sexual —, sendo que 79,9% das agressões foram registradas dentro das casas das vítimas.
Cerca de 66,2% das mulheres atendidas em 2024 já haviam sido vítimas de outras violências anteriormente.
O levantamento mostrou ainda que meninas são as principais vítimas de violência sexual, representando 86,9% dos casos notificados.
Como prestar ajuda a uma vítima ou denunciar um caso?
A violência contra mulheres pode ser denunciada por qualquer pessoa por meio de diversos canais oficiais.
Entre as opções disponíveis estão os números 190, da Polícia Militar; 197, da Polícia Civil; além de qualquer delegacia. Também é possível acionar o 180, da Central de Atendimento à Mulher, do Ministério das Mulheres.
Todas essas ligações são gratuitas, e o atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.
