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Brasil tem quase metade dos policiais civis que deveria ter; veja onde faltam agentes

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que corporações funcionam com 55,2% do efetivo previsto pelos estados

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Polícia Militar (PM)
Polícia Militar (PM) • Divulgação/Alerj

O Brasil trabalha com pouco mais da metade do número considerado ideal de policiais civis para investigar crimes. É o que aponta um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (4), que revela um déficit nacional de agentes em meio ao avanço de organizações criminosas, golpes virtuais e aumento da demanda por investigações.

Segundo o estudo, o país tem atualmente 96,9 mil policiais civis em atividade, enquanto o efetivo previsto pelos governos estaduais é de 175,4 mil profissionais. Na prática, as corporações funcionam com 55,2% da capacidade estimada. “Está faltando investigação criminal no Brasil”, afirmou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento considera a diferença entre o número real de integrantes das polícias e os efetivos definidos pelos próprios estados em leis ou planejamentos orçamentários. Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses parâmetros nem sempre refletem a necessidade atual de cada território.

Estados com maior déficit nas polícias

Na Polícia Civil, dez estados apresentam número de agentes por habitante abaixo da média nacional, que é de 0,5 policial para cada mil moradores. O Maranhão tem a menor proporção do país, com 0,2 policial civil para cada mil habitantes. Mesmo concentrando os maiores efetivos absolutos, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também estão abaixo da média nacional, com 0,3, 0,4 e 0,4 policiais civis para cada mil habitantes, respectivamente.

Para Renato Sérgio de Lima, a prioridade histórica ao policiamento ostensivo acabou deixando a investigação em segundo plano. “O policiamento ostensivo gera visibilidade, e todo político quer mostrar que está fazendo alguma coisa. Investigação demora, depende de formação e cooperação”, afirmou.

Polícia Militar também tem déficit

O estudo aponta que a Polícia Militar também atua abaixo do efetivo previsto. Atualmente, são 413,3 mil policiais militares em atividade, o equivalente a 65,7% do total estimado pelos estados — ou 1,9 agente para cada mil habitantes. O Tocantins aparece com o maior déficit proporcional: apenas 34,9% do efetivo previsto está em exercício. Goiás vem em seguida, com 37,4%. Na contramão, o Ceará possui 23,7 mil policiais militares, número superior ao previsto oficialmente.

O Amapá é citado pelos pesquisadores como um exemplo da dificuldade de medir a necessidade de efetivo apenas pelo número de vagas. Apesar de contar com apenas 45,2% do previsto, o estado tem a maior proporção de policiais militares por habitante do país, com 4,4 agentes para cada mil moradores. Segundo o Fórum, a quantidade de policiais não garante, sozinha, uma atuação mais eficiente. O Amapá, por exemplo, aparece entre os estados com maiores índices de letalidade policial.

Golpes aumentam pressão sobre investigações

O levantamento ocorre em um cenário de crescimento dos crimes digitais. Os casos de estelionato ultrapassaram 2 milhões pelo terceiro ano consecutivo, impulsionados por golpes envolvendo transferências bancárias e o Pix. Além disso, facções criminosas ampliam a presença em diferentes regiões do país, com controle territorial, extorsões e imposição de regras a moradores.

Para o Fórum, o cenário reforça a necessidade de ampliar a capacidade de investigação criminal e investir em estruturas especializadas.

Guardas municipais superam polícias civis

Outro dado destacado pelo estudo é o crescimento das guardas municipais. Pela primeira vez desde a reorganização das forças de segurança no fim da década de 1970, o número de guardas superou o de policiais civis. O efetivo chegou a 107,5 mil agentes no ano passado, após crescimento de 12,9% em dois anos.

O diretor-presidente do Fórum alerta, no entanto, para a necessidade de padronizar a atuação e fortalecer o controle dessas instituições. “As guardas vão sendo transformadas em ‘mini-PMs’, só que com os mesmos problemas”, afirmou. Para os pesquisadores, o principal desafio do país continua sendo fortalecer a investigação criminal para responder ao avanço de novos tipos de crime.

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