Belo Horizonte
Itatiaia

Blaze entra na Justiça para casa de apostas voltar ao ar: 'profissionalismo e transparência'

Advogados contestam a competência da Justiça de São Paulo e pedem que o caso seja analisado pelo STJ; Blaze orienta jogadores a usarem URLs alternativas

Por
Blaze tenta reverter decisão judicial, mesmo usando 'sites espelhos' para continuar operando no Brasil
Blaze tenta reverter decisão judicial, mesmo usando 'sites espelhos' para continuar operando no Brasil • Divulgação/Blaze

A Blaze entrou com uma liminar na Justiça para que o site da casa de apostas volte ao ar. O pedido, feito na última quarta-feira (6), ainda contesta a competência da Justiça de São Paulo para analisar o caso e pede que o processo seja transferido para o Superior Tribunal de Justiça.

A Itatiaia teve acesso ao documento de 18 páginas assinado por dois escritórios de advocacia de São Paulo, que estão representando a empresa sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. No pedido, os advogados argumentam que o bloqueio da Blaze no Brasil “significa o encerramento das atividades da empresa, que possui mais de 25 milhões de usuários cadastrados no Brasil, que ficarão impedidos de resgatar seus créditos na plataforma.”

“[Blaze] sempre se preocupou em possuir um alto nível de profissionalismo e transparência com seus clientes, o que fez com que se tornasse um dos principais nomes no mercado de apostas online”, afirma a defesa em um trecho do documento.

A defesa afirma que “a Justiça Estadual é incompetente para exercer o controle jurisdicional da investigação de crime contra o sistema financeiro nacional” e que a Blaze é sediada em Curaçao, onde as apostas são permitidas e regulamentadas. Por isso, os advogados afirmam que “a alegada conduta de ‘prática de jogos de azar’ não é realizada dentro do território brasileiro, sendo inaplicável a Lei das Contravenções Penais.”

Na liminar, os advogados solicitaram o reconhecimento da ilegalidade da decisão da Justiça de SP. A decisão colocaria o site principal da Blaze no ar novamente e ainda transferiria o caso para Brasília. Vale lembrar que, mesmo com o bloqueio, os usuários brasileiros seguem podendo jogar na Blaze por meio de URLs alternativas divulgadas pela própria casa de apostas. A prática fez com que dezenas de usuários passassem a questionar a Anatel sobre a legalidade da manobra.

A Itatiaia entrou em contato com a Blaze e aguarda retorno.

Blaze fora do ar?

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acatou, na segunda-feira (4), um pedido da Justiça de São Paulo para tirar do ar o site da casa de apostas Blaze em todo o Brasil. A informação foi antecipada pelo portal ABC 360 Notícias e confirmada pela Itatiaia. De acordo com o documento assinado pelo Superintendente de Fiscalização da Anatel, Marcelo Alves da Silva, o site da Blaze deve ser bloqueado imediatamente.

Apesar da decisão ter sido assinada na tarde de segunda (4), o site continuou no ar até a tarde de terça-feira (5). Por volta de 17h, já não era mais possível acessar o link principal, mas a Blaze passou a orientar os jogadores a entrar em URLs alternativas (sites espelho) como uma forma de driblar a decisão judicial. Termos como Blaze e Anatel estão entre os mais comentados do Twitter nesta terça.

Questionada, a Anatel informou que não possui meios para retirar um site do ar, mas apenas encaminha a decisão judicial para as operadoras de internet adotarem e cumprirem a medida.

Blaze é alvo de denúncias

A Blaze é alvo de milhares de denúncias em todo o Brasil. A Itatiaia trouxe, em julho, o relato de um grupo de moradores de Belo Horizonte que teriam tido um prejuízo de R$ 6 milhões após serem convencidos por uma influenciadora a “investir” pela plataforma Blaze. Uma das vítimas afirmou ter aplicado dinheiro na expectativa de conseguir pagar o tratamento do filho.

A Blaze também é alvo da CPI das Pirâmides Financeiras (ou CPI dos Criptoativos). Os parlamentares chegam a convocar os presidentes do Santos e do Atlético Goianiense, times patrocinados pela Blaze, para depor. Andres Rueda, mandatário do time paulista, confirmou que o clube recebeu R$ 45 milhões por um contrato de dois anos, com R$ 25 milhões pagos à vista e o restante dividido em 23 parcelas. Segundo ele, o valor tem sido pago regularmente.

Por

Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.