Ataques a pessoas em situação de rua criados no Discord são investigados em 4 estados
Segundo pesquisadora, jovens de 15 a 22 anos são investigados; ataques são transmitidos ao vivo pelas comunidades extremistas

A Polícia Civil de São Paulo investiga a rede social Discord após integrantes de comunidades 'marcarem' ataques a pessoas em situação de rua em pelo menos quatro estados do Brasil.
O aplicativo é investigado também pela transmissão de cenas de estupros virtuais e automutilação. Há apurações também no Rio de Janeiro, Goiás, no Espírito Santo e em São Paulo. Ainda durante as investigações um português foi preso suspeito de incentivar os crimes no Brasil.
Durante as lives que duram horas, os ataques são transmitidos ao vivo pelas comunidades extremistas como uma forma de 'lulz', sendo a forma com que eles denominam atos cruéis tratados como entretenimento pelos usuários.
Segundo Letícia Oliveira, pesquisadora que faz o monitoramento da rede social, "Lulz é uma variação de LOL, que significa "laughing out loud” - rindo muito ou rindo alto, em português".
"Ele é usado para dizer na internet que você está gargalhando. Mas nesse caso é gargalhar de violência extrema — afirma Letícia em entrevista ao o Globo.
Com os ataques, diversos autores ganham status nos grupos extremistas e um líder passa a ser chamado de "panelas". Conforme a pesquisadora, um desses 'líderes' costumava, antes de ser preso, de afirmar que já havia matado uma pessoa em situação de rua.
"Não há, até agora, nenhuma confirmação de que isso aconteceu de fato. Ele responde atualmente por estupros de duas adolescentes, de 13 e 16 anos, pelo Discord", diz ela.
Letícia contou também sobre um exemplo de um adolescente de 15 anos que afirmou que conduziu um desafio para matar pessoas em situação de rua e conseguiu seis vítimas.
Caso recente no Rio de Janeiro
Um caso recente aconteceu no Rio de Janeiro quando um adolescente de 17 anos foi apreendido em fevereiro deste ano por atear fogo em um homem que vivia em uma rua da Zona Oeste.
O adolescente de 17 anos ateou fogo no homem a e transmitiu as imagens ao vivo nas redes sociais. Segundo o vídeo, ele prepara dois coquetéis molotov e arremessa os explosivos contra Ludierley Satyro José, de 46 anos, que estava dormindo em uma calçada. A vítima teve queimaduras em quase todo corpo.
As investigações apontaram que o ataque foi motivado por um desafio que o adolescente participou e que ele teria recebido cerca de R$ 2 mil para isso. O militar Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva, de 20 anos, que estava ao lado com o celular na mão também foi preso por transmitir ao vivo.
Ataques em outros estados
Em 2023 um caso aconteceu em São Paulo, quando quatro jovens de 19 a 22 anos foram acusados de matar uma pessoa em situação de rua; eles teriam organizado o crime pelo Discord.
No Espírito Santo, uma família De Serra denunciou a Polícia Civil um grupo que planejava atear fogo em sem-tetos; durante a operação, uma adolescente de 15 anos foi apreendida no Rio de Janeiro.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



