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Arqueólogos encontram 45 esqueletos e mais de 100 mil cerâmicas em obra no Maranhão

No local são construídos quatro condomínios residenciais do programa Minha Casa Minha Vida; o Iphan acompanha as descobertas

Por e 
Imagem cedida à Itatiaia

Arqueólogos encontraram 45 esqueletos e mais de 100 mil fragmentos de cerâmica durante a construção de um condomínio no bairro Vicente Fialho, em São Luís, no Maranhão. No local, a construtora MRV ergue quatro condomínios residenciais do programa Minha Casa Minha Vida.

De acordo com o arqueólogo Welington Lage, as primeiras peças foram encontradas em junho de 2019. "Toda obra de grande porte precisa fazer uma avaliação arqueológica da área. Durante as primeiras sondagens, começamos a encontrar cerâmicas. A gente já tinha ideia que poderia encontrar alguma coisa com base em estudos anteriores e não deu outra", disse à Itatiaia.

43 esqueletos já foram exumados

A partir dos achados, a equipe partiu para a próxima etapa do projeto. "Começamos a fazer uma pesquisa mais aprofundada. Por coincidência, já fomos direto no ponto com o maior número de artefatos - chamado de ponto 50. Lá, começamos a escavar mais fundo e encontramos dois esqueletos humanos: um a 1,60 metros e o outro de 1,80 metros de profundidade", afirma o arqueólogo.

De acordo com Lage, entre os 45 esqueletos humanos encontrados, 43 já foram resgatados. Os outros dois ainda estão enterrados e devem ser exumados no fim do mês.

Ainda não é possível estimar de quando são as ossadas, mas eles devem passar por uma análise em breve. "Nós vamos escolher uma amostra, composta por três esqueletos, para serem enviadas aos Estados Unidos para serem analisadas. Como eles foram encontrados em profundidades muito diferentes, uns a 60 cm da superfície e outros a 2,10 metros, vamos escolher três amostras de profundidades diferentes", explica.

Cerâmicas milenares

Mesmo com o grande número de descobertas, o arqueólogo espera que mais objetos e, até, esqueletos possam ser encontrados. "Possivelmente pode ter mais, porque a área toda ainda não foi analisada. Mas, agora, estamos encontrando cada vez menos cerâmicas nas áreas analisadas", contou.

Segundo o arqueólogo, as cerâmicas mais antigas datam de milhares de anos.

"A gente levanta uma hipótese de que naquela área existiu pelo menos quatro ocupações humanas. Vemos isso a partir das cerâmicas encontradas. As mais antigas, do tipo mina, são mais grosseiras rústicas. Elas têm entre 5 e 7 mil anos. Depois delas, temos (em ordem da mais antiga para a mais nova): a cerâmica Tupi, a Amazônica, até chegar na Tupinambá, que data do encontro dos indígenas brasileiros com os europeus", explica.

Sítio Arqueológico

Para Lage, a área se trata de um sítio arqueológico. "É sem dúvida um sítio arqueológico. Temos a parte da habitação, onde foram encontradas as cerâmicas, a zona de enterramento, e ainda estamos trabalhando em outras áreas. A gente imagina que esta área tenha sido uma grande aldeia", explica.

Apesar dos achados, a obra do condomínio segue no local. Em nota, a MRV explicou que, desde o início das atividades, a empresa atendeu todas as exigências legais, seguindo as orientações regulamentadas nas portarias e relatórios emitidos pelo IPHAN e que, nesse processo, não houve nenhum tipo suspensão de realização de obras.

A empresa ainda destaca que realiza o trabalho com a equipe de arqueologia desde a primeira descoberta.

"Dentro desse processo de legalização do terreno, descobriu-se a existência do sítio junto ao IPHAN e, partir daí, iniciaram-se as tratativas legais para operar o empreendimento dentro das normas e em paralelo ao trabalho do IPHAN. Com base na lei, não há impedimento de construção de empreendimentos em locais de sítio arqueológico, contato que seja cumprida a legislação e que esteja de acordo com as normas legais do IPHAN, atos que a MRV tem feito desde o início das obras", disse a empresa.

A MRV ainda finalizou o comunicado comemorando a descoberta. "Para nós e todos os envolvidos neste processo, vivenciar estas descobertas foi incrível. Neste processo, trabalhamos no fornecimento de materiais e na disposição de colaboradores para ajudar nas diversas atividades de escavação e no salvamento e guarda dos achados arqueológicos. Em campo, pudemos aprender e vivenciar a experiência única de sermos testemunhas do resgate material dessa história", concluiu.

Nota do Iphan

Em nota à Itatiaia, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) destacou que o Sítio Arqueológico Chácara Rosane, em São Luís (MA), representa um 'marco da pré-história brasileira'.

"Este sítio, datado de mais de 6 mil anos, é um testemunho da longa história de ocupação humana na ilha de São Luís, demonstrando um passado anterior aos registros históricos convencionais do Brasil.

A descoberta da expressividade do sítio ocorreu durante monitoramento arqueológico recente, revelando-se que processos antigos de aragem e aterramento haviam mascarado a superfície, dificultando a visualização inicial do sambaqui - sambaquis são sítios arqueológicos litorâneos, formados principalmente de conchas de moluscos e outros restos alimentares como sementes, ossos de animais de pequeno porte e sedimentos. Além disso, a propriedade era privada e cercada, o que impossibilitava a realização de averiguações pelo Iphan.

No local, ainda ocorrem escavações e quantificações das peças. Quanto ao destino final dos achados, caberá o abrigo permanente à Instituição de Guarda da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), espaço cadastrado pelo Iphan. "Todavia, diante do volume do número de peças resgatadas, houve a necessidade da construção de uma nova reserva técnica e de um novo laboratório, estes de obrigação da MRV", disse o instituto em nota.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.