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Quem foi Eunice Paiva? Advogada foi interpretada por Fernanda Torres, indicada ao Oscar de Melhor Atriz

Após a morte do marido Rubens Paiva, Eunice se reinventou, estudou direito e se tornou uma das principais vozes em defesa dos indígenas

Eunice Paiva morreu aos 86 anos

Fernanda Torres foi anunciada nesta quinta-feira (23) como uma das indicadas ao Oscar de Melhor Atriz pelo filme “Ainda Estou Aqui”. O longa conta a história de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, que desapareceu durante a ditadura militar no Brasil.

O filme aborda a dor e os impactos do sumiço de Rubens para a família Paiva, especialmente para Eunice. Ela viu a vida se transformar profundamente depois que seu marido foi levado de casa por militares do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa) para prestar um depoimento no quartel da Força Aérea Brasileira (FAB), em 20 de janeiro de 1971. Desde então, ele nunca mais foi visto.

Mesmo arrasada, Eunice escondeu dos filhos a tristeza e as dificuldades causadas pelo desaparecimento e morte do marido. Na tentativa de proteger as crianças, a dona de casa refez a vida e se tornou um dos símbolos da luta contra a ditadura brasileira.

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Quem era Eunice Paiva?

Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva nasceu em 1929 em São Paulo. Ela se casou com Rubens Paiva em 1952 e o casal teve cinco filhos: Marcelo Rubens Paiva, Vera Paiva (Veroca), Maria Eliana Facciolla Paiva (Eliana), Ana Lucia Facciolla Paiva (Nalu), Maria Beatriz Facciolla Paiva (Babiu).

Quando Rubens Paiva desapareceu, a família morava em uma casa no Leblon, no Rio de Janeiro. Logo após o marido ser levado pelos militares, Eunice e a filha Eliana também foram torturadas e presas. Eliana saiu no dia seguinte, mas Eunice ficou 12 dias na prisão.

Após o desaparecimento do marido, Eunice passou a lutar para descobrir a verdade sobre o que havia acontecido. A resposta oficial veio apenas 25 anos depois, quando ela conseguiu o atestado de óbito e o reconhecimento da morte de Rubens Paiva pelo estado brasileiro.

Depois que Rubens Paiva desapareceu, Eunice também precisou se reinventar. Para sustentar os cinco filhos, a esposa do ex-deputado decidiu entrar na faculdade de direito em 1973. Ela já era formada em letras, mas encontrou na nova profissão mais uma ferramenta de luta.

Eunice se formou em direito aos 47 anos pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. A advogada se tornou especialista em direito indígena e foi consultora do governo federal, do Banco Mundial e da ONU.

Uma das principais causas defendidas por Eunice era a demarcação de terras indígenas. Seus estudos e argumentos tiveram uma grande influência na conquista dos direitos indígenas na Constituição de 1988 - que marca a redemocratização do Brasil.

No fim da vida, a advogada sofreu com o Mal de Alzheimer. Ela morreu aos 86 anos no dia 12 de dezembro de 2018.


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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.