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Preços de carros usados desaceleram e têm menor alta trimestral desde 2025

IBV Auto subiu 0,36% entre julho e setembro, enquanto elétricos de 2023 acumulam desvalorização de quase 47% até setembro

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Locadora de veículos
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Os preços dos carros usados no Brasil tiveram uma alta de 0,36% no terceiro trimestre de 2026, de acordo com o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos valores dos automóveis leves seminovos e usados no país. O resultado é o menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025 e indica uma desaceleração do mercado.

O aumento ficou abaixo do 1,27% registrado entre abril e junho deste ano e da alta de 2,04% observada no terceiro trimestre de 2025. Considerando apenas os terceiros trimestres, o resultado de 2026 iguala o registrado em 2019, quando começou a série histórica do indicador.

No acumulado do ano, o IBV Auto apresenta alta de 3,86%, abaixo dos 4,05% registrados no mesmo período de 2025. Já nos últimos 12 meses, a valorização chega a 5,12%, mesmo patamar observado em agosto.

Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o cenário reflete o crescimento mais lento da atividade econômica, a desaceleração da inflação e a menor demanda por bens de maior valor agregado. A maior concorrência com os carros novos também reduz o espaço para reajustes expressivos nos preços dos usados.

Preços variam entre as regiões do país

O comportamento dos preços apresentou diferenças regionais no terceiro trimestre. O Nordeste registrou a maior alta, de 0,69%, seguido pelo Centro-Oeste, com 0,56%, e pelo Sul, com 0,52%.

No Sudeste, os valores ficaram praticamente estáveis, com avanço de 0,03%. O Norte foi a única região a apresentar queda, de 0,19%. No segundo trimestre, todas as regiões haviam registrado aumentos superiores a 1%.

Carros elétricos acumulam maior desvalorização

Entre os diferentes tipos de motorização, os carros elétricos continuam apresentando a maior perda de valor de revenda. Segundo o levantamento, os modelos lançados em 2023 acumulam desvalorização de quase 47% até setembro de 2026.

O percentual supera a queda de 27,89% registrada pelos híbridos e a de 22,20% dos veículos a combustão comparáveis. De acordo com o banco BV, o movimento está relacionado à pressão exercida pelos preços dos modelos elétricos novos e ao aumento da concorrência no segmento.

A comparação considera veículos de idade e características gerais semelhantes, como preço de compra quando novos, porte, categoria e país de origem.

Setembro registra alta de 0,30%

Apesar da desaceleração no trimestre, os preços dos usados apresentaram recuperação em setembro. O IBV Auto avançou 0,30% no mês, após recuo de 0,01% em agosto.

Entre os modelos que mais contribuíram positivamente para o resultado estão o Renault Sandero, com alta de 1,88%, o Volkswagen Gol, que subiu 1,51%, e o Hyundai Creta, com avanço de 1,39%.

Na outra ponta, o Toyota SW4 teve queda de 1,60%, seguido pelo Honda HR-V, com recuo de 1,19%, e pelo Volkswagen Polo, que desvalorizou 0,97%.

Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, os números reforçam a tendência de desaceleração dos preços dos usados. A maior oferta e a concorrência com os veículos novos contribuem para reduzir a pressão sobre os valores, embora o comportamento ainda varie conforme o segmento e a região.

O IBV Auto é calculado a partir da base de dados do banco BV, que reúne informações de transações de veículos. O indicador considera critérios de amostragem, depreciação e agrupamento de modelos para acompanhar mensalmente a evolução dos preços por região e tipo de motorização: combustão, híbrida ou elétrica.

A ponderação leva em conta o valor total das negociações. Dessa forma, modelos mais caros e com maior volume de comercialização têm peso maior na composição do índice.

A série histórica tem como referência inicial o ano de 2019, quando o indicador nacional foi fixado em 100 pontos. A metodologia também permite comparar a desvalorização de veículos elétricos, híbridos e a combustão de idade e características semelhantes.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

 

 

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