Grupo responsável pela JAC Motors no Brasil pede recuperação judicial com dívida de R$ 239,5 milhões
Pedido envolve 44 empresas do Grupo SHC e ocorre pouco mais de um ano após o encerramento da primeira recuperação judicial; marca também enfrenta queda nas vendas e redução da rede de concessionárias

O Grupo SHC, responsável pela operação da JAC Motors no Brasil, entrou com um novo pedido de recuperação judicial, com dívidas declaradas de R$ 239,5 milhões. Segundo a reportagem da revista Exame, a solicitação foi apresentada à Justiça em 6 de outubro e reúne 44 empresas ligadas ao grupo comandado pelo empresário Sergio Habib.
A medida ocorre pouco mais de um ano após o encerramento da primeira recuperação judicial do grupo, concluída em maio de 2025. Agora, a empresa busca renegociar compromissos financeiros contraídos posteriormente, em meio às dificuldades para manter a operação da marca no mercado brasileiro.

Segunda recuperação judicial em oito anos
A primeira recuperação judicial do Grupo SHC começou em novembro de 2018, quando a empresa declarou R$ 517,7 milhões em dívidas. O grupo atribuiu as dificuldades daquele período à retração do mercado automotivo, às restrições para importação de veículos e ao fim da parceria com a Citroën, cuja rede de concessionárias era um dos principais negócios da companhia.
O plano foi homologado em setembro de 2019, após a aprovação dos credores, e o processo foi encerrado em maio de 2025. O novo pedido, portanto, representa uma segunda tentativa de reorganizar as finanças do grupo em um intervalo relativamente curto.

Desta vez, um dos principais desafios é a dependência de veículos importados em um mercado que ganhou novos concorrentes chineses. A incidência do imposto de importação sobre modelos eletrificados também pressiona a competitividade da operação, especialmente diante de fabricantes que começaram a produzir veículos no Brasil.
Dívidas bancárias concentram boa parte do passivo
As obrigações financeiras representam uma parcela expressiva das dívidas do grupo. Um dos bancos credores teria mais de R$ 100 milhões a receber. Instituições financeiras e fundos também enfrentam dificuldades para localizar veículos oferecidos como garantia de empréstimos.
A recuperação judicial é um instrumento previsto em lei que permite à empresa negociar suas dívidas com os credores e tentar reorganizar as finanças para continuar operando. O pedido não significa, por si só, que a companhia encerrará suas atividades, mas o desfecho depende da viabilidade do negócio e da aprovação de um plano de recuperação.
Queda brusca nas vendas
A situação financeira do grupo coincide com o enfraquecimento da JAC Motors no Brasil. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a marca emplacou 988 automóveis e comerciais leves em 2025, ante 2.022 unidades no ano anterior. A queda foi de 51,1%, enquanto o mercado brasileiro registrou crescimento no mesmo período.

A fabricante também reduziu a sua presença comercial no país. A rede de concessionárias foi encolhida, as vendas passaram a se concentrar no ambiente digital e boa parte dos modelos deixou de ser oferecida. Atualmente, a operação tem foco maior em veículos comerciais e na picape Hunter, enquanto o elétrico E-JS1, que já teve destaque na linha, perdeu participação no mercado diante de concorrentes de outras marcas chinesas.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



