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Série do Itatiaia Agro 'O Valor da Floresta' mostra como árvores se transformam em oportunidades de investimento

Setor de árvores cultivadas reúne negócios com madeira, celulose, carvão vegetal e créditos de carbono; investimentos previstos até 2028 chegam a R$ 105,4 bilhões

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Divulgação AMIF

A série especial “O Valor da Floresta”, do Itatiaia Agro, foi ao ar nos programas Acir Antão e Café com Notícia entre terça-feira (29) e quinta-feira (1º). As reportagens mostram como as árvores podem gerar negócios e oportunidades de investimento, da produção de madeira aos créditos de carbono e às empresas listadas na bolsa de valores.

As reportagens em áudio podem ser ouvidas no link abaixo:

👉 OUÇA A SÉRIE “O VALOR DA FLORESTA”

Quando se fala em investimento, é comum pensar em poupança, CDB ou ações negociadas na bolsa de valores. Mas existe um ativo que cresce literalmente com o tempo: a árvore.

O investimento em florestas comerciais pode gerar receita com madeira, celulose, carvão vegetal e, cada vez mais, créditos de carbono. O setor trabalha com ciclos de médio e longo prazo e movimenta bilhões de reais no Brasil.

A possibilidade de investir diretamente em empresas ligadas à produção florestal também chegou à bolsa de valores. Grandes companhias do setor possuem ações negociadas no mercado e permitem que investidores tenham exposição a essa cadeia produtiva.

Para a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, essa é uma das formas de participar do crescimento do setor. “Hoje você tem grandes empresas que estão listadas na bolsa, que a atividade principal delas é plantar a floresta e consumir essa floresta. Todas elas estão listadas em bolsas e você pode investir diretamente nas ações delas.”

Adriana Maugeri, presidente executiva da AMIF • Itatiaia
Adriana Maugeri, presidente executiva da AMIF • Itatiaia

Setor movimenta R$ 240 bilhões

O tamanho da cadeia ajuda a explicar o interesse dos investidores. De acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o setor de árvores cultivadas registrou receita bruta de R$ 240 bilhões em 2024. A entidade também aponta uma carteira de aproximadamente R$ 105,4 bilhões em investimentos previstos até 2028, destinados a novas fábricas, expansão e infraestrutura.

O diretor de Relações Institucionais da Ibá, Adriano Escarpa, destaca que o setor florestal tem uma característica diferente das culturas agrícolas de ciclo curto. “O setor florestal está falando de uma cultura de pelo menos seis, sete anos, pegando o exemplo do eucalipto, para você ter uma remuneração depois. Esse investimento, a madeira, então tem vários elementos no setor florestal.”

A floresta também está presente em uma série de produtos que fazem parte do cotidiano. A celulose, por exemplo, é utilizada na fabricação de papel, embalagens e fibras para a indústria têxtil. O carvão vegetal, por sua vez, possui forte participação na cadeia produtiva mineira e é utilizado em diferentes segmentos da indústria.

Árvore também pode gerar crédito de carbono

Outra frente que vem ganhando espaço é o mercado de carbono. Um crédito de carbono corresponde, em linhas gerais, a uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) ou equivalente que foi removida da atmosfera ou cuja emissão foi evitada, de acordo com a metodologia utilizada para o projeto.

As árvores têm papel importante nesse mercado porque absorvem carbono da atmosfera durante o crescimento.

A professora universitária, engenheira ambiental e mestre em Botânica, Fernanda Raggi explica que propriedades rurais podem participar desse mercado por meio de projetos estruturados e certificados.

“As árvores precisam de carbono para sobreviver. Então elas absorvem o carbono da atmosfera. Empresas que geram impactos ambientais atmosféricos podem compensar esses impactos com áreas de árvores em pé.”

Minas Gerais tem um papel pioneiro nesse mercado. O primeiro projeto de geração de crédito de carbono florestal do mundo foi desenvolvido no estado, em uma empresa localizada em Curvelo, na Região Central.

O Brasil também vive uma etapa importante de regulamentação do mercado de carbono. Segundo Adriano Escarpa, a legislação aprovada no fim de 2024 deve estabelecer as bases para o funcionamento do mercado regulado brasileiro.

“Essa lei vai trazer uma possibilidade maior desses projetos, principalmente florestais, de reflorestamento, venderem seus créditos.”

Investidor precisa olhar além da rentabilidade

Apesar das diferentes possibilidades, especialistas alertam que investir no setor exige análise e planejamento. A assessora de investimentos do Grupo Árvora, Giovana Fagundes, ressalta que a rentabilidade não deve ser o único critério considerado pelo investidor. “A rentabilidade chama atenção, mas é a qualidade da operação que deve sustentar a decisão.”

Para o professor da Fundação Dom Cabral e coordenador do Centro de Referência ESG da instituição, Carlos Braga, existem diferentes formas de acessar o mercado de carbono. “Existem vários veículos disponíveis para você investir em carbono hoje em dia. É buscar uma instituição financeira, buscar informações de que fundo poderíamos investir.”

Professor Carlos Braga • Fabiano Frade/ Itatiaia
Professor Carlos Braga • Fabiano Frade/ Itatiaia

Segundo ele, produtores e empresas que possuem áreas disponíveis também podem estruturar projetos de recuperação ambiental e geração de créditos, desde que atendam aos critérios técnicos e de certificação.

Papel e celulose também entram no radar

Outra possibilidade para o investidor está nas empresas de papel e celulose listadas na bolsa. O analista de investimentos Gustavo Vaz avalia que companhias do segmento podem representar uma alternativa de diversificação de carteira e têm exposição a um mercado com forte presença internacional. “É uma boa diversificação para um portfólio. São empresas e um mercado inclusive dolarizado. Ou seja, pode ter um certo benefício com um dólar um pouco mais forte.”

Da conservação à produção sustentável

O crescimento das possibilidades econômicas também acompanha uma mudança na forma como a árvore é vista dentro das propriedades rurais. A gerente de Sustentabilidade do Sistema Faemg/Senar, Mariana Ramos, destaca que, durante muito tempo, a presença da árvore no campo esteve associada quase exclusivamente à conservação ambiental.

Agora, além da função ambiental, a floresta pode ser incorporada como componente produtivo da propriedade. A professora Fernanda Raggi reforça que a geração de renda e a conservação ambiental podem caminhar juntas. “Os recursos naturais podem trazer, de todas as formas, geração de economia, de renda, mas principalmente de ambiente equilibrado.”

Do campo à indústria e da bolsa de valores ao mercado de carbono, a floresta passou a ocupar diferentes espaços na economia. Madeira, celulose, carvão vegetal, ações de empresas do setor e créditos de carbono mostram que a árvore pode representar muito mais do que um recurso natural: pode ser também um ativo econômico e uma fonte de novas oportunidades de investimento.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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