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Produção orgânica e agroecologia cresce em Campinas como alternativa sustentável no campo

Estudo de mapeamento da produção orgânica por meio de dados secundários do IBGE sugere caminhos para fortalecimento da agricultura familiar em SP

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De hortaliças como alface e brócolis a frutas como banana e batata-doce • Miguel Silveira/ Incaper

A agricultura orgânica avança em Campinas, impulsionada pela diversidade de produtores e pela força das feiras livres como ponte entre campo e cidade. É o que revela uma pesquisa da Unicamp em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, que mapeou o setor na região. O estudo também alimenta os debates sobre a consolidação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (2023/2024).

Impulsionada por movimentos sociais, a produção orgânica e a agroecologia vêm conquistando espaço no interior paulista como caminhos viáveis para um desenvolvimento rural mais justo e sustentável. Em Campinas (SP), esse avanço se materializa nas feiras livres ligadas à Rede de Agroecologia do Leste Paulista, que hoje reúnem dezenas de produtores certificados e oferecem uma ampla variedade de alimentos orgânicos diretamente aos consumidores urbanos.

O trabalho, realizado por Victor de Carvalho, durante sua graduação na Unicamp, identificou de maneira preliminar a atuação de parte desses produtores nas feiras do Bosque dos Jequitibás e do Parque Ecológico, dois dos principais pontos de comercialização da cidade. “A pesquisa identificou 110 agricultores vinculados à Associação de Agricultura Natural de Campinas (ANC), que adota o modelo participativo de certificação por meio da Organização Participativa de Avaliação da Conformidade (OPAC). Os dados são secundários e foram coletados a partir de registros do Ministério da Agricultura e da própria ANC”, destaca Carvalho.

O levantamento mostra que a agricultura orgânica, além de representar uma alternativa econômica viável para pequenos produtores, cumpre funções sociais e ambientais estratégicas. Os produtos disponíveis, que vão de hortaliças como alface e brócolis a frutas como banana e batata-doce, revelam uma alta agrobiodiversidade, característica central para a sustentabilidade ecológica e econômica da produção rural.

Lucimar Abreu, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e orientadora do trabalho, destaca que o estudo confirma a importância e o potencial regional da agricultura de base ecológica frente aos impactos e riscos negativos da agricultura convencional, como o uso intensivo de agrotóxicos, a compactação do solo, a contaminação da água e a perda da biodiversidade. "A adoção de práticas agroecológicas, como a diversificação de culturas e a reciclagem da matéria orgânica, vem crescendo entre os agricultores em transição para sistemas mais sustentáveis", afirma.

Tendência mundial

O cenário local reflete uma tendência mundial. Segundo dados do setor, entre 1999 e 2012 a área cultivada com orgânicos no mundo triplicou, alcançando 76,4 milhões de hectares em 2021. No Brasil, o mercado movimentou R$5,8 bilhões em 2020, com aumento de 30% nas vendas. Ainda assim, os entraves persistem. Apenas 1,2 milhão de hectares, menos de 0,5% da área agrícola nacional, são destinados à produção orgânica, e o país segue atrás de vizinhos como Argentina e Uruguai nesse quesito.

Novo olhar do consumidor

O caso da ANC em Campinas é emblemático. Fundada em 1991, a associação criou um sistema de certificação participativa que envolve diretamente produtores e consumidores. Os alimentos produzidos circulam em feiras locais, promovendo uma cadeia curta de comercialização e valorizando a agrobiodiversidade regional.

Segundo Victor de Carvalho e a pesquisadora Lucimar S. de Abreu, a agricultura orgânica cresce também impulsionada por um novo perfil de consumidor, mais atento às questões de saúde, segurança alimentar e preservação ambiental.

Para pesquisadores e produtores, o futuro da agroecologia no Brasil depende do fortalecimento de políticas públicas específicas, da ampliação do acesso ao crédito e da valorização da agricultura familiar. “Em um cenário de crise ambiental e desigualdades no campo, a agricultura orgânica e agroecológica não apenas representam um modelo mais sustentável de produção de alimentos, como também apontam caminhos para um projeto de desenvolvimento rural mais inclusivo e equilibrado”, acredita Lucimar Abreu.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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