Primeira extração de azeite no Brasil completa 15 anos; conheça curiosidades sobre o produto
Plantio comercial no país é recente; primeira extração incentivou a produção em Minas que, embora pequena, tem conquistado prêmios internacionais

Pesquisadores da Epamig comemoram 15 anos da primeira extração de azeite extravirgem do Brasil realizada no Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé, em 2008. O feito é importante porque abriu portas. Desde então, os azeites brasileiros, que também são produzidos no Sul do país e em regiões serranas da Bahia e Espírito Santo, têm conquistado medalhas em concursos pelo mundo afora e obtido destaque no mercado gastronômico por seu frescor e atributos sensoriais.
Na Serra da Mantiqueira, entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, há cerca de 200 produtores e 90 marcas próprias. Em 2022, a produção na região atingiu o recorde de 120 mil litros/ano.
“Nossos azeites têm se destacado cada vez pelo frescor e características de sabor e aroma. Essas são proporcionadas pelos cuidados que os produtores têm pelo terroir da nossa região”, explica o agrônomo e integrante do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura.
Primeiras mudas
O trabalho que culminou na extração pioneira teve início anos antes. As primeiras mudas de oliveira chegaram a Maria da Fé em 1935 e, já na década de 1940, servidores ligados ao governo de Minas começaram a estudar a cultura.
“Fomos agregando informações que, com o passar do tempo, resultaram em possibilidades de produção, em uma proposta de manejo e em algumas cultivares, até chegarmos no primeiro azeite nacional”, relembra o pesquisador aposentado Adelson Oliveira.
Primeira extração não foi planejada
O consultor em Olivicultura, Nilton Caetano de Oliveira, que era gerente do Campo Experimental da Epamig em Maria da Fé, conta que a primeira extração não foi planejada. “Em 2005, trabalhávamos com produção de mudas de oliveira e as azeitonas eram usadas para a produção de conservas. Pleiteávamos, via projeto de pesquisa, a importação de uma extratora. Foi então que Ítalo Mostarda, filho de italianos, residente em São Paulo, nos procurou e propôs uma parceria para uma extração experimental”.
Neide foi uma das pioneiras
Neide Batista Soares foi uma das primeiras produtoras a investir na olivicultura em Maria da Fé. “Iniciei a plantação de oliveiras em 2005, com o apoio da Epamig. Meu interesse foi despertado pela comprovação de que nossas terras são férteis e favoráveis para o cultivo e pela inexistência do produto nacional. Começamos com mil mudas da variedade Arbequina e entre 2013 e 2014 mais 1,3 mil plantas de variedades como Koroneiki, Arbosana, Grappolo e Maria da Fé”. “Este ano terei uma produção menor em relação à safra anterior, em função das condições climáticas, porém a qualidade será mantida”, finaliza.
Turismo de Imersão
Além da produção de azeitonas e azeites extravirgens, a olivicultura na Serra da Mantiqueira têm oferecido aos turistas imersões completas na produção do azeite. As experiências incluem visitas aos olivais e agroindústrias, degustações e refeições em cafeterias e restaurantes próprios, além da compra dos azeites.
Curiosidades:
-
O azeite é um alimento milenar, sinônimo de paz, força e também um dos produtos mais falsificados do país.
-
O azeite é o “suco” da azeitona, que utiliza a polpa e o caroço.
-
O hábito de consumir azeite começou há 6 mil anos na região do Mar Mediterrâneo, no sul da Europa.
-
No Brasil, o hábito veio dos portugueses, as oliveiras chegaram por aqui há alguns séculos e eram plantadas perto de igrejas. Mais tarde, a própria igreja acabou proibindo porque não queria concorrência com os azeites portugueses.
-
Até hoje, compramos a maior parte dos azeite que consumimos dos países europeus; produzimos apenas 1% mas, esse 1% é de extrema qualidade.
-
O presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes, explica que o plantio voltado para o comércio é muito recente, começou nos anos 2000
-
A azeitona preta não é uma variedade da fruta; ela é a azeitona verde que ficou madura.
(*) Com informações da Emater
Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.
