Preços ao produtor agropecuário caem quase 10% no primeiro trimestre de 2026
Queda do índice nacional só não foi mais acentuada devido à arroba bovina, único item de destaque que registrou valorização

O setor agropecuário brasileiro iniciou o ano de 2026 com uma retração generalizada nos preços pagos ao produtor. Segundo o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea), calculado pelo Cepea (Esalq/USP), houve um recuo de 9,79% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.
A queda do índice nacional só não foi mais acentuada devido à arroba bovina, único item de destaque que registrou valorização (+5,9%) em relação ao início do ano passado.
Resiliência frente ao mercado externo
Apesar da baixa doméstica, os preços internos mostraram-se mais resilientes do que os internacionais. Enquanto o IPPA caiu menos de 10%, o índice de alimentos do FMI (deflacionado em reais) despencou 14,29% no mesmo período. Pesquisadores apontam que dois fatores econômicos ajudaram a equilibrar a balança para o produtor:
- Câmbio: a valorização do real frente ao dólar foi de 10,12%, o que contribui diretamente para a redução dos custos de insumos importados.
- Indústria: a queda de 2,55% nos preços industriais (IPA-OG-DI) também favoreceu o controle das despesas de produção.
Análise por grupos e produtos
A retração atingiu praticamente todas as cadeias produtivas analisadas pelo Cepea. Confira o desempenho dos principais grupos no primeiro trimestre de 2026:
Grãos (-9,85%): o setor foi puxado pela desvalorização de todos os itens em comparação a 2025:
- Arroz: queda de 39,83%;
- Trigo: queda de 18,24%;
- Milho: queda de 15,35%;
- Algodão: queda de 14,59%;
- Soja: queda de 4,15%.
Cana e café (-16,61%): o índice foi impactado pela baixa simultânea nos preços de ambas as culturas no mercado interno.
Hortifrutícolas (-14%): neste grupo, o grande responsável pela queda foi o preço da laranja (-55,8%), além do tomate (-4,3%). Por outro lado, a banana e a batata registraram altas de 23,1% e 5,1%, respectivamente.
Pecuária (-5,73%): apesar da alta no boi gordo, o grupo encerrou o trimestre no vermelho devido aos recuos expressivos em:
- Leite: - 22,97%;
- Ovos: - 22,2%;
- Suínos: - 13,10%;
- Frango: - 10,68%.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



