‘Nossas propriedades rurais precisam da delicadeza feminina’ diz analista do Sebrae
Na véspera do Dia Internacional da Mulher, Priscilla Lins pontua que o aumento do protagonismo feminino no agro é uma realidade bem-vinda e que não tem nada a ver com ideologias ou feminismo e sim com equidade e competência

A gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae Minas, Priscilla Lins, diz que o aumento do número de mulheres atuando no agro é, hoje, uma realidade. Embora as estatísticas deixem a desejar (o último Censo Agropecuário do IBGE foi feito em 2017), é notória uma maior presença feminina à frente de grandes empreendimentos agropecuários, sindicatos rurais, empresas do ramo e outras entidades de classe ou instituições públicas.
De acordo com o Sebrae, considerando as regiões do Estado, a que tem mais empresas do agro comandada por mulheres é a Central, com 826 pequenos negócios liderados pelo público feminino. Logo atrás vem o Triângulo, que soma 583 negócios. Belo Horizonte, Uberlândia e Uberaba são os três municípios que mais têm empresas em que uma mulher é a responsável.
Mas estamos ainda no começo dessa história. Dos 853 municípios mineiros, em apenas oito o número de mulheres à frente de negócios ligados ao universo do agro é superior ao número de homens.
Mesmo assim, Priscilla diz que há muito o que se comemorar. “O agro não é mais uma exclusividade masculina como era há 30 anos, quando iniciei minha carreira no setor. Tem sido maravilhoso participar dessa jornada, desse movimento e dessa conquista que mudou comportamentos de forma definitiva”, disse.
“Basta pensarmos que esse era um setor que, até muito pouco tempo, era predominantemente masculino e, hoje, conta com um grande protagonismo feminino, tanto à frente da gestão das fazendas, quanto de instituições de representação do setor. Na minha opinião, trata-se de um movimento sem volta e uma grande conquista que não tem nada a ver com ideologias ou feminismo, e sim com uma consciência coletiva de equidade e muita competência”, ressaltou a analista,
Ela lembra que no campo e nas cidades, as mulheres são esposas, mães, donas de casa e empresárias de sucesso e suas presenças no mercado de trabalho, seja à frente de seu próprio negócio, trabalhando na produção ou gestão de fazendas, não causam mais nenhuma surpresa.
“Em geral, elas exercem uma liderança mais preocupada com o bom relacionamento entre os funcionários, têm mais sensibilidade ao tratar questões delicadas e facilidade de realizar multitarefas.Verdadeiras empresas a céu aberto, as propriedades rurais precisam dos benefícios desses comportamentos que têm evidenciado e incentivado mulheres a assumirem com muito talento, a gestão das fazendas antes geridas por seus pais, maridos e filhos”.
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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



