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MT bate recorde de produtividade por hectare na safra 2025/26 de algodão

Safra 2025/26 alcançou 330,25 arrobas por hectare, mas a redução de 11,18% na área cultivada limitou a produção; para o próximo ciclo, o Imea prevê expansão do plantio e menor rendimento

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Colheita mecanizada de algodão em uma lavoura, com máquinas recolhendo as fibras das plantas.
Mato Grosso registrou produtividade recorde de algodão na safra 2025/26, apesar da redução da área cultivada e da produção total. • Divulgação / Sistema Famato

O Mato Grosso encerrou a safra 2025/26 de algodão com produtividade recorde de 330,25 arrobas por hectare, apesar da queda de quase 7% na produção. Os dados fazem parte do relatório de Oferta e Demanda, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O resultado ainda não foi suficiente para compensar a redução da área cultivada, que caiu 11,18%, para 1,37 milhão de hectares.

Com a menor área, a produção de algodão em caroço foi consolidada em 6,81 milhões de toneladas, recuo de 6,92% em comparação com a safra de 2024/25. Segundo a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, o encerramento da colheita e o avanço do beneficiamento permitiram uma mensuração mais precisa da produtividade do ciclo.

“Com a finalização da colheita aqui em Mato Grosso e o avanço do beneficiamento, foi possível mensurar com maior precisão a real produtividade do ciclo 25/26. Diante disso, agora em outubro de 2026, o Imea consolidou a produtividade do algodão em caroço em 330,25 arrobas por hectare, um aumento de cerca de 4,80% em relação ao último recorde, registrado na safra passada 24/25”, explicou.

Ainda de acordo com Cíntia, os volumes de chuva favoráveis durante o desenvolvimento da cultura foram o principal fator para o desempenho positivo da produtividade. Apesar disso, o avanço no rendimento não compensou a retração da área cultivada.

Já a demanda total da safra 2025/26 foi estimada em 2,73 milhões de toneladas de pluma, queda de 0,17% em relação ao ciclo 2024/25.

Apesar das projeções de crescimento das exportações e do consumo mato-grossense, o recuo foi puxado pela expectativa de menor consumo interestadual. De acordo com o Imea, a demanda apresenta um cenário mais estagnado, enquanto a produção de algodão nos demais estados continua avançando, reduzindo a necessidade de Mato Grosso no abastecimento do mercado interestadual.

Os estoques finais foram projetados em 916,24 mil toneladas, sendo que 893,35 mil toneladas já devem ter sido comercializadas, mas com embarques previstos para ocorrer ao longo do próximo ciclo comercial.

Projeções para a safra 26/27

O relatório do Imea trouxe a primeira estimativa para a safra 2026/27 de algodão em Mato Grosso. A projeção aponta intenção de aumento de 3,84% na área cultivada, que deve chegar a aproximadamente 1,43 milhão de hectares.

Segundo Cíntia, os preços mais atrativos da pluma neste momento têm estimulado os cotonicultores a planejarem novos investimentos na cultura. A estimativa, porém, ainda pode sofrer alterações, já que os produtores estão no início do planejamento da próxima safra.

“O andamento da safra de soja, em conjunto com o clima no período da semeadura do algodão, bem como os patamares de preços nesse período, será fundamental para a decisão final do produtor”, ressaltou a analista.

Para a produtividade na próxima temporada, o Imea estima 310 arrobas por hectare, queda de cerca de 6% em relação ao resultado da safra 2025/26. A projeção considera possíveis impactos do El Niño sobre as condições climáticas de Mato Grosso, com potencial de comprometer o desenvolvimento da cultura.

Ainda conforme o Imea, a combinação de 1,43 milhão de hectares e produtividade estimada em 310 arrobas por hectare, a produção de algodão em caroço da safra 2026/27 foi projetada em 6,65 milhões de toneladas, o que, mesmo com a redução esperada na produtividade, representaria a terceira maior produção da série histórica.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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