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Levantamento inédito: 80% dos mineiros reconhecem contribuição das cooperativas, que respondem por 63,6% do café no estado

Dados da pesquisa do Sistema OCEMG mostram impacto das cooperativas na economia mineira e no agro, com mais de 3,5 milhões de cooperados

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Plantação de café
Plantação de café • Foto: Fabiano Frade

O cooperativismo tem peso expressivo na economia de Minas Gerais e ocupa uma posição estratégica no agronegócio do estado. São cerca de 800 cooperativas, mais de 3,5 milhões de cooperados e 64 mil trabalhadores, responsáveis por movimentar o equivalente a 15,9% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro. No campo, a participação é ainda mais significativa. As cooperativas respondem por 63,6% do café produzido em Minas Gerais e por 18,3% da produção de leite. Os números constam de um levantamento inédito e foram apresentados pelo superintendente do Sistema OCEMG, Alexandre Gatti Lages, em entrevista à Itatiaia.

Segundo ele, o modelo é especialmente importante para os pequenos produtores, que conseguem ganhar escala, acessar tecnologia, receber assistência técnica e chegar a mercados nacionais e internacionais por meio da organização coletiva. “Se Minas Gerais fosse um país, seria o maior produtor de café do mundo. E o cooperativismo representa mais da metade dessa produção”, afirmou Alexandre Gatti Lages.

União de produtores aumenta força no mercado

Um dos principais diferenciais das cooperativas é a capacidade de reunir a produção de diversos agricultores e ampliar o poder de negociação. No caso do café, por exemplo, produtores que individualmente teriam dificuldades para acessar grandes compradores conseguem, por meio das cooperativas, concentrar volumes, melhorar processos de comercialização e alcançar inclusive o mercado internacional.

Além da comercialização, as cooperativas também oferecem assistência técnica, capacitação e acesso a tecnologias, contribuindo para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade da produção.

O impacto ultrapassa as propriedades rurais. A presença das cooperativas também movimenta a economia dos municípios, gera empregos e contribui para o desenvolvimento das comunidades onde estão instaladas.

Superintendente do Sistema OCEMG, Alexandre Gatti Lages • Foto: Fabiano Frade
Superintendente do Sistema OCEMG, Alexandre Gatti Lages • Foto: Fabiano Frade

Mais de 80% dos mineiros reconhecem importância das cooperativas

Uma pesquisa de imagem realizada pelo Sistema OCEMG mostra que mais de 80% dos mineiros consideram que as cooperativas contribuem para o desenvolvimento local. O levantamento também aponta que oito em cada dez entrevistados avaliam os produtos e serviços oferecidos pelas cooperativas como bons ou muito bons.

Outro resultado chama atenção: na hora de escolher um produto de uma cooperativa, a qualidade pesa mais do que o preço para o consumidor.

A percepção positiva está associada principalmente à geração de empregos, desenvolvimento regional, inclusão, apoio ao pequeno produtor e qualidade dos produtos e serviços.

Café concentra maior força do cooperativismo no estado

O café é um dos principais símbolos da força das cooperativas no agro mineiro. Maior estado produtor de café do Brasil, Minas Gerais tem 63,6% da produção cafeeira ligada às cooperativas, segundo os dados apresentados pelo Sistema OCEMG.

A atuação também é relevante em outras cadeias produtivas. As cooperativas respondem por 18,3% da produção de leite e estão presentes ainda em atividades como suinocultura, produção de grãos, mel e cítricos.

Para pequenos e médios produtores, a estrutura cooperativa pode representar a diferença entre produzir apenas para o mercado local e conseguir alcançar grandes compradores e consumidores de outras regiões e países.

Capacitação acompanha modernização do agro

A formação profissional também está entre as prioridades do sistema cooperativista. O OCEMG atua na capacitação de gestores e trabalhadores das cooperativas e apoia iniciativas voltadas à formação dos produtores.

Para o setor, a combinação entre qualificação profissional, assistência técnica e tecnologia é fundamental para elevar a produtividade, reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos.

Sustentabilidade também pesa na escolha do consumidor

A percepção dos mineiros sobre o cooperativismo também está relacionada à sustentabilidade. Segundo a pesquisa do Sistema OCEMG, 74% dos entrevistados associam produtos de cooperativas a práticas sustentáveis. Além disso, 60% afirmam já ter tido contato com algum produto ou serviço cooperativo.

Os resultados indicam que o consumidor enxerga nas cooperativas não apenas uma forma de comercialização, mas um modelo que pode gerar impactos econômicos e sociais nas comunidades.

Entre os principais atributos associados ao setor estão qualidade, geração de empregos, desenvolvimento local, oportunidades para pequenos produtores e sustentabilidade.

Cooperativismo amplia acesso e fortalece o pequeno produtor

Os números apresentados pelo Sistema OCEMG mostram que as cooperativas ocupam hoje um espaço estratégico na economia mineira. No agronegócio, a união dos produtores permite ganhar escala, melhorar a eficiência, acessar tecnologia, ampliar a capacidade de negociação e chegar a mercados mais distantes.

Para Alexandre Gatti Lages, a percepção do consumidor também reforça esse movimento. “Não é só preço. As pessoas, ao optarem por um produto de cooperativa, sabem que estão comprando, em primeiro lugar, um produto de qualidade”, destacou.

 

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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