Falta de trabalhadores acelera transformação na horticultura brasileira
Escassez de mão de obra já influencia decisões sobre produção, investimentos e adoção de tecnologias no setor

A dificuldade para encontrar trabalhadores na produção de frutas e hortaliças ganhou novas dimensões e passou a influenciar decisões estratégicas dentro das empresas. Segundo pesquisadores da Equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desafio já não se limita à formação de equipes para a próxima safra, mas envolve escolhas sobre como produzir, quanto investir, até onde expandir e quais tecnologias adotar para manter a atividade competitiva.
A escassez de mão de obra sempre esteve entre as principais preocupações dos produtores, especialmente em atividades mais intensivas, como plantio, manejo e colheita. O que mudou, de acordo com pesquisadores do Cepea, foi a dimensão do problema, que deixou de ser localizado ou sazonal e passou a afetar o planejamento das propriedades.
O movimento também ocorre em outros países. Conforme pesquisadores do Cepea, a redução da oferta de trabalhadores tem levado o setor a investir em mecanização, automação, qualificação profissional e novas formas de organização da produção. Na horticultura, o desafio é ainda maior porque muitas operações continuam altamente dependentes do trabalho humano, tornando a disponibilidade de mão de obra um fator cada vez mais relevante para a gestão das empresas.
Na edição de agosto da revista Hortifruti Brasil, pesquisadores do Cepea reúnem evidências científicas, experiências internacionais e percepções de produtores e empresas da cadeia de frutas e hortaliças para analisar como o setor está respondendo ao cenário e quais caminhos podem contribuir para fortalecer sua competitividade.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



