Etanol de milho: Mato Grosso produz 5,6 bilhões de litros e lidera mercado
Especialistas apontam que a produção do biocombustível de milho deve atingir o mesmo patamar da cana-de-açúcar até a safra 2034/35

O que antes era chamado de "safrinha" agora dita o ritmo da economia de Mato Grosso. Na safra 2024/25, o estado colheu o recorde de 55,43 milhões de toneladas de milho e transformou 13,9 milhões de toneladas desse total em 5,61 bilhões de litros de etanol, consolidando-se como o maior produtor de biocombustível de milho do Brasil.
A industrialização do grão dentro do estado mudou o patamar da economia local. Segundo a Secretaria de Fazenda (Sefaz-MT), o setor arrecadou mais de R$ 833,6 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em 2025 e emprega, direta e indiretamente, mais de 147 mil pessoas.
Verticalização e valor agregado
A chegada das usinas trouxe segurança ao produtor rural, que antes sofria com a incerteza de preços e as dificuldades de escoamento. Para Gilson Antunes de Melo, vice-presidente da Aprosoja MT, a indústria é o principal vetor de desenvolvimento social. "Todo o grão industrializado aqui gera valor agregado, o que se reflete em mais saúde, educação e infraestrutura para a população", afirmou.
Além do combustível, o processo de fabricação gera subprodutos estratégicos que alimentam outras cadeias:
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DDG (Dried Distillers Grains): biomassa de alto valor proteico para ração animal. Em 2025, foram produzidas 2,7 milhões de toneladas, o que ajuda a baratear o custo da carne.
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Biodiesel: as usinas também entregaram 2,2 bilhões de litros de biodiesel, aproveitando a matéria-prima por completo.
Sustentabilidade: o combustível do futuro
O modelo mato-grossense destaca-se pela economia circular. O produtor e investidor Romeu Ciochetta explicou que a cadeia é sustentável do início ao fim: do plantio do eucalipto usado nas caldeiras até o etanol no tanque. "É uma tendência mundial. O mundo quer combustível verde, da aviação aos carros de passeio", ressaltou.
Atualmente, 20% do etanol consumido no Brasil já vem do milho. E o ritmo de expansão é acelerado:
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12 usinas em operação.
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10 usinas em construção.
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5 novas unidades em projeto.
Perspectivas: milho deve igualar cana em 10 anos
A projeção para o setor é audaciosa. Durante a 25ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, em outubro de 2025, especialistas apontaram que a produção de etanol de milho deve atingir o mesmo patamar da cana-de-açúcar até a safra 2034/35.
O fator econômico é o grande motor: o custo de produção do litro de etanol de milho hidratado está estimado entre R$ 2,02 e R$ 2,30 para a próxima safra, um valor significativamente mais competitivo que os R$ 2,86 do etanol de cana.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



