Dia Nacional da Pecuária: setor movimenta R$ 141,2 bilhões e destaca diversidade do Brasil
Divulgados pelo IBGE no final de setembro, dados da PPM mostram salto histórico impulsionado pela avicultura e pelo leite, detalhando a liderança de municípios em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso

Nesta quarta-feira (14), celebra-se o Dia Nacional da Pecuária, data que evidencia a importância estratégica da atividade para o desenvolvimento econômico e o abastecimento de mercados no Brasil e no exterior. Em meio a um cenário de consolidação de recordes no valor de produção e diversificação de cadeias produtivas, estados como Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso mostram a força e os desafios do setor.
Dados da Produção da Pecuária Municipal (PPM), divulgados pelo IBGE, apontam que o valor de produção da pecuária brasileira atingiu um recorde histórico de R$ 141,2 bilhões em 2025, o que representa uma alta de 6,2% em relação ao ano anterior. Desse total, os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, enquanto a aquicultura contribuiu com R$ 13,2 bilhões.
Por outro lado, o efetivo bovino brasileiro registrou uma queda de 1,7% em 2025, contabilizando 234,3 milhões de cabeças, na segunda retração anual consecutiva influenciada pelo aumento do abate de fêmeas nos últimos anos. Apesar da redução no Centro-Oeste e em outras regiões, a bovinocultura segue forte em polos como Mato Grosso, que lidera o ranking nacional com 31,12 milhões de bovinos, conforme dados do Indea apontados pelo Sistema Famato.
A conversão de proteína vegetal em proteína animal, aproveitando a alta disponibilidade de grãos como milho e soja, é apontada pelo setor como um diferencial competitivo para agregar valor à produção e impulsionar as exportações, especialmente para mercados exigentes como o chinês.
O infográfico da PPM 2025 traz o detalhamento dos maiores rebanhos e efetivos por município no país:
- Bovinos (total Brasil: 234,25 milhões de cabeças): apresentou queda geral de 1,7%. A liderança municipal segue com São Félix do Xingu (PA), com 2,73 milhões de cabeças, seguido por Corumbá (MS) (2,15 milhões), Porto Velho (RO) (1,67 milhão), Cáceres (MT) (1,40 milhão) e Marabá (PA) (1,32 milhão).
- Suínos (total Brasil: 43,99 milhões de cabeças): o ranking municipal é liderado por Toledo (PR) (935 mil cabeças), seguido por Uberlândia (MG) (587,9 mil), Concórdia (SC) (519,4 mil), Marechal Cândido Rondon (PR) (449 mil) e Tapurah (MT) (420 mil).
- Galináceos (total Brasil: 1,60 bilhão de cabeças): o maior polo do país é Santa Maria de Jetibá (ES), com 18,36 milhões de cabeças, acompanhado por São Bento do Una (PE) (14,95 milhões), Bastos (SP) (14,05 milhões), Uberlândia (MG) (12,76 milhões) e Toledo (PR) (12,70 milhões).
- Galinhas/Postura (total Brasil: 293,32 milhões de cabeças): Santa Maria de Jetibá (ES) também lidera com 15,06 milhões de galinhas. Na sequência aparecem Bastos (SP) (12,17 milhões), São Bento do Una (PE) (6,45 milhões), Primavera do Leste (MT) (4,69 milhões) e Santo Antônio do Monte (MG) (4,14 milhões).
- Caprinos e ovinos: o município de Casa Nova (BA) consolida-se como a capital nacional dos pequenos ruminantes, liderando tanto o rebanho caprino (810,2 mil cabeças de um total nacional de 13,52 milhões) quanto o ovinocultor (713,5 mil cabeças de um total nacional de 22,30 milhões). Cidades como Juazeiro (BA), Floresta (PE), Dormentes (PE) e Petrolina (PE) completam as primeiras posições.
Destaques
- Mato Grosso: com o maior rebanho bovino estadual do país, Mato Grosso equilibra a força da pecuária de corte com o avanço da suinocultura, avicultura e piscicultura. O estado produziu expressivas quantidades de carne suína e peixes de cultivo (como o tambaqui e a tilápia), consolidando uma cadeia produtiva robusta integrada à oferta local de grãos.
- Minas Gerais: o estado destaca-se pela relevância de seu rebanho bovino, o 4º maior do país, e pela liderança na produção nacional de leite, alcançando 10,1 bilhões de litros em 2025. Além disso, a pecuária mineira brilha na avicultura de postura (com municípios como Santo Antônio do Monte entre os maiores produtores de ovos), na piscicultura (sendo Morada Nova de Minas o maior produtor de peixes do país, impulsionado pela tilápia) e por liderar os rebanhos nacionais de equinos e codornas, além de forte expressão na suinocultura em Uberlândia.
- São Paulo: o governo paulista fomenta o setor por meio de iniciativas como o programa SP Produz e linhas de crédito do Banco do Povo Paulista, que já desembolsou mais de R$ 28,5 milhões em operações de microcrédito desde 2023 para pequenos produtores. Um exemplo é a Cadeia Produtiva Local (CPL) do Leite em Mogi das Cruzes, que utiliza recursos para consultorias de marketing, gestão e qualificação, fortalecendo a agricultura familiar e estimulando a sucessão no campo.
Leite e aquicultura com marcas históricas
O desempenho de 2025 reforça a alta produtividade do campo brasileiro:
- Leite de vaca: a produção atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros, com ganho de 5,6% em produtividade por vaca ao ano. Castro (PR) liderou o ranking nacional municipal, seguido por Carambeí (PR) e Patos de Minas (MG).
- Peixes e aquicultura: a produção de peixes cresceu 7,1%, atingindo 783 mil toneladas, com ampla hegemonia da tilápia (68,2% do total). O setor de camarão (172,4 mil toneladas) e a produção de mel (71,3 mil toneladas) também alcançaram patamares inéditos.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



