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Com alta em exportações e consumo interno, setor de café solúvel mira recorde em 2026

Vendas ao exterior avançam 12,8% até agosto sustentadas pelo mercado europeu, enquanto mercado doméstico puxa alta no segmento de maior valor agregado; embarques acumulados atingem 65,3 mil toneladas

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Indústria do café solúvel vai aos EUA contra tarifa de 37,5% proposta por Trump
No acumulado do ano, as vendas para a UE subiram 44,2%, alcançando 13,1 mil toneladas • Canva/ banco de imagem

As exportações brasileiras de café solúvel mantêm um ritmo constante de expansão e somaram 7,7 mil toneladas (333,7 mil sacas de 60 kg) em agosto, um avanço de 24,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, os embarques atingiram 65,3 mil toneladas (2,83 milhões de sacas), alta de 12,8% em relação às 57,9 mil toneladas registradas em igual período de 2025.

Os dados constam do relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, destaca que o crescimento é consistente, sustentado por desempenhos mensais positivos ao longo do ano, com pico de alta de 38,9% registrado em junho.

Dois fatores impulsionam a perspectiva favorável para o segundo semestre: o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio, e a queda do "tarifaço" nos Estados Unidos.

No acumulado do ano, as vendas para a UE subiram 44,2%, alcançando 13,1 mil toneladas. Já no mercado norte-americano, embora o acumulado do ano ainda registre retração de 6,1%, o mês de agosto deu sinais claros de reação pós-tarifas, com disparada de 86,8% nas compras do produto brasileiro frente a agosto de 2025.

Consumo doméstico avança e fortalece projeção de recorde

O mercado interno acompanha a trajetória de alta do comércio exterior. Nos oito primeiros meses de 2026, o consumo nacional de café solúvel somou 19,7 mil toneladas, avanço de 11,9% ante 2025. O crescimento foi observado tanto no segmento spray dried (+11,7%) quanto na linha freeze dried, de maior valor agregado, que registrou expansão de 13,3%.

Segundo a Abics, a soma de investimentos da indústria, novidades ao consumidor, acordos internacionais e facilitação de acesso aos EUA cria um cenário propício para resultados históricos. A entidade projeta a possibilidade real de o Brasil fechar 2026 estabelecendo novos recordes tanto em volume exportado quanto em consumo doméstico.

Reforma tributária traz incertezas a partir de 2027

Em contraste com o otimismo comercial, a reestruturação tributária nacional gera apreensão na indústria. Instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, a reforma extinguirá gradualmente o crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição de café verde, benefício de 7,4% voltado à redução de custos e estímulo à industrialização.

Em 2026, o percentual do crédito caiu para 6,66%, com extinção total prevista para 1º de janeiro de 2027. A Abics pondera que a inclusão do café na Cesta Básica Nacional com alíquota zero (CBS/IBS) não compensa financeiramente a perda do crédito presumido da matéria-prima.

A entidade mantém interlocução com o governo federal e o Congresso em busca de medidas de transição. Sem alterações no texto, a tendência é que o encargo tributário seja incorporado ao custo do produto final a partir de 2027.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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